<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938</id><updated>2012-01-21T02:20:53.037-03:00</updated><category term='Babel de pedra e aço'/><category term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Notas de rodapé</title><subtitle type='html'>Delenda verba supra!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>34</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-2637399070557741140</id><published>2009-07-17T23:14:00.002-03:00</published><updated>2009-07-18T00:17:33.807-03:00</updated><title type='text'>Aforismos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://peregrinacultural.files.wordpress.com/2009/04/shiva.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 402px; height: 338px;" src="http://peregrinacultural.files.wordpress.com/2009/04/shiva.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns desenham os deuses com um pé no chão e outro suspenso no ar. Com isto querem dizer: o deus considera ao mesmo tempo os assuntos materiais e a metafísica. Eu, se um dia chegar a desenhá-lo, será com ambos os pés no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se mandares uma criança pequena desenhar um ser humano, ela começará pelo tronco, ao qual ligará a cabeça como um apêndice. Tolo, por que inverteste o sentido ao crescer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu? Também suspendendo o pé para cogitar das coisas do alto? Ao fazê-lo, sempre tropeço nas coisas da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram as mutações da matéria, que nasce e morre, cresce e envelhece, goza e chora. Elas que te levaram a querer negar teu instinto de experimentar o mundo, resignando-se a pensá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar não leva ao conhecimento. A consciência é uma pífia fixação no transitório: teu nariz só existe para ti enquanto sua consciência se ocupar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu processo de fixação desesperada em um substrato inconstante, a consciência atribui toda sorte de características aos seres. Como se o ser fosse transitivo e implicasse "ser alguma coisa". As coisas são, não pense que são algo. Nos preocupamos com uma existência com sentido, quando a todo o resto do universo aparentemente basta existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O deus não se mostra pelo filtro do pensamento. A experiência do divino é irracional. Na verdade, qualquer coisa que verdes só será ela mesma naquele curtíssimo hiato entre apreender e pensar: daí em diante será nada mais que tua mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conhecimento é uma construção entre dois seres. Caminho de mão dupla. A racionalidade surge da eleição de um único caminho, com a exclusão do outro: sujeito e objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, digo: a ambigüidade é muito mais rica que a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez li que uma tribo, durante a caça, sempre tentava ver e se ver enquanto predador e presa. Isto é inteligente. Não a racionalização que instrumentaliza o mundo, pondo-o a nosso serviço. É inteligente porque se põe no Todo. Em nenhum momento deixa de considerar as contradições da existência, como a vida e a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magia e ciência, uma só coisa. Ambas usam o mundo como ferramenta para se atingir algo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-2637399070557741140?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/2637399070557741140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=2637399070557741140&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/2637399070557741140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/2637399070557741140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2009/07/aforismos.html' title='Aforismos'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-4913796858018045108</id><published>2009-06-19T23:27:00.003-03:00</published><updated>2009-06-20T00:32:04.360-03:00</updated><title type='text'>Pánta rei</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A história da filosofia grega pode ser resumida como a polêmica do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;devir, &lt;/span&gt;quero dizer, o debate sobre o acerto ou não de se entender o mundo como fluxo contínuo e incessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, os gregos, pelo menos até Platão - e ainda não sei bem se devo excluí-lo - , entendiam que a sabedoria estava ligada de forma intestina ao conhecimento das coisas contingentes, ou seja, daquilo que se deveria fazer em cada situação. A inteligência acerca da ação correta em cada momento estava ligada também à correta noção do lugar do sujeito no mundo e de sua percepção de si como participante do todo (remeto aqui ao texto sobre Platão e a destragédia...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, tinha discernimento aquele que, sabendo de seu lugar no mundo e das limitações advindas de sua situação, obtinha o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;feeling &lt;/span&gt;necessário para saber agir de acordo com o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ainda que o mundo seja constante fluxo de acontecimentos, o conjunto desses acontecimentos não é infinito. Ao contrário: a Física nos mostra que o universo é regido por regras, que levam esse fluxo à tendência de uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;normalidade &lt;/span&gt;(aqui compreendida em seu sentido estatístico), o que não permite a ocorrência de eventos fora do padrão, exceto sob a hipótese de aquelas leis que regem o universo serem quebradas, coisa que ainda não se viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, pode-se dizer metaforicamente que o mundo é uma peça de teatro, sem começo ou fim, mas cujo palco não tem estrutura para encenar todo tipo de situações. Em algum momento, forçosamente, as cenas vão ter que se repetir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outras palavras, trata-se de um paradoxo: embora a realidade seja mutação, as situações e fenômenos tendem à repetição, sem que haja um princípio isolado no tempo e, tampouco,  qualquer forma de escatologia ou objetivo para essa repetição, porque, se houvesse, já teria sido atingido.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Portanto, desde a Antigüidade a experiência é condição reconhecida para o tipo de sabedoria aqui descrito, pois já ter passado por uma determinada situação, ou mesmo apenas saber da possibilidade de sua ocorrência, pode ser de grande ajuda ao se deparar com ela novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um lado essa constatação pode deixar o homem mais sábio, poderá, por outro, levá-lo ao desespero, que o leva a duas posições básicas diante do fluxo de mutações do Ser: 1) negá-lo, admitindo a existência de algo de permanente, a partir do qual se tenta suplantar a finitude do Eu; ou 2) admitir que, diante da mortalidade e da falta de sentido geral do universo, não há mesmo nada a se fazer, limitando-se a esperar que a técnica humana melhore sua perspectiva de vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas duas posturas niilistas - querer estabelecer uma verdade e não agir - são condenáveis sob a ótica grega como formas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;hybris&lt;/span&gt;. Viver o eterno retorno do mesmo é a única maneira de viver sem se furtar à realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipótese que eu pretendo investigar daqui a algum tempo - e que registro aqui antes que ela me fuja - é exatamente acerca dos desdobramentos éticos dessa forma de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois o homem, diante da intuição da forma ao mesmo tempo inconstante e finita em que o mundo está engendrado, não teria nada melhor a fazer senão agir da forma que lhe pareça a melhor possível, justamente em vista das conseqüências advindas da eterna repetição de seu ato para o devir e da futilidade que categorias como o arrependimento, a liberdade e o castigo assumem sob essa perspectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nota de rodapé: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pánta rei - &lt;/span&gt;"tudo flui", axioma de Heráclito de Éfeso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-4913796858018045108?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/4913796858018045108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=4913796858018045108&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4913796858018045108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4913796858018045108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2009/06/panta-rei.html' title='Pánta rei'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-1959653220162781222</id><published>2009-05-08T23:09:00.005-03:00</published><updated>2009-05-09T00:46:07.435-03:00</updated><title type='text'>anedota cotidiana</title><content type='html'>L. digitava freneticamente. Diante de si, a mulher relatava todos os sofrimentos pelos quais vinha passando, o que fazia o jovem se sentir um tanto pesado. Mas ele não podia parar, ainda havia outras pessoas para atender, e naquele dia ele não poderia de modo algum sair de lá depois do horário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a mulher de meia idade que estava com ele na sala olhava fixamente para L., como se houvesse outra coisa que chamasse sua atenção, e que, por um instante, se deslocasse da realidade que a levou até ali. Isso perturbou L. Ele não gostava de ser estudado ou observado. Estava ali para fazer a sua parte, apenas isso, repelindo qualquer coisa que pudesse desviá-lo de suas funções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é advogado?&lt;br /&gt;- Estagiário (bom, todos sempre perguntam... vai ver um advogado passa mais segurança mesmo... não que eu necessariamente concorde)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após algum tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe-me, mas...&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- Você tem mãos muito bonitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L. continuou escrevendo, apenas um sorriso, não daria muita importância àquilo, pois tinha pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe de uma coisa?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Desde que eu estava aguardando lá fora e te vi chegar, percebi que você se parece muito com meu irmão, quando ele era mais jovem, sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L. esboçou o mesmo sorriso de antes. A mulher se perdeu em lembranças, pensando alto....Voltou-se para L., fitou-o por mais um bom tempo, em seguida dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, é muito charmoso, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L. parou. A mulher fitava-o fixamente. Sem saber o que dizer, esboçou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum...obrigado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltou a digitar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a mulher&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu falava de meu irmão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-1959653220162781222?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/1959653220162781222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=1959653220162781222&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1959653220162781222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1959653220162781222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2009/05/anedota-cotidiana.html' title='anedota cotidiana'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-5787091846842497387</id><published>2009-02-23T02:09:00.002-03:00</published><updated>2009-02-23T02:15:49.608-03:00</updated><title type='text'>cartas à alquimista</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Dedicado a uma alquimista, constantemente importunada em seu ofício por um rábula que vem falar de coisas meio absurdas, das quais ele próprio acaba perdendo o domínio. Entre outras coisas, eles discutem sobre as diferenças e similitudes de seus saberes).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;          &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Gregos de novo. Bem que a professora profetizara: “Quando a gente começa um projeto na Academia, vira um chato: não fala de outra coisa!”, e é a mais pura verdade. Cá estou sentado diante do computador, para escrever mais um texto que tem como ponto de partida concepções gregas, após ter passado a tarde inteira escrevendo para uma monografia sobre o quê? Evolução de conceitos jurídicos entre os gregos. Pois é.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Que posso fazer? Sendo eu um chato ou não, são sempre esses mesmos caras que me dão o pontapé inicial de imaginação e inspiração. A eles.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Outro dia eu te dizia que o homem está condenado. Condenado a viver neste mundo caótico com uma mente que pensa em parâmetros de perfeição. Com isso, ele não consegue pensar nas coisas com simplicidade, não consegue admitir que nem tudo precisa de explicação ou de racionalidade para funcionar. Quer explicar o mundo e explicar a si próprio. Compartimenta o seu conhecimento e se julga especializado num ramo só, acha que é incapaz ou inapto para ver pelo “outro” lado. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Existe um velho problema na história da filosofia, consistente em saber o que surgiu primeiro na cabeça do grego: se teria sido os problemas relativos ao ser humano ou o fascínio com as questões da natureza. Os primeiros filósofos eram chamados de Físicos, e eles especulavam sobre a origem do mundo, os fenômenos atmosféricos e a composição dos corpos. Outros, depois, escreveram sobre os números e os astros.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas, ao tratar desses temas da natureza, esses homens notáveis usavam termos como “amor” e “ódio” para expressar os conceitos físicos de atração e repulsão; e sempre que enunciavam alguma lei universal por eles descoberta, a descreviam com palavras afeitas aos sentimentos humanos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E o contrário também é verdade. De muita coisa que ingenuamente se crê ser pura literatura, o homem extraiu leis para organizar sua compreensão do mundo material. Houve uma guerra. Segundo ouvi, raptaram uma mulher, e outros foram em seu resgate, pondo fim a uma cidade. E um homem resolveu cantar esta guerra, povoando sua narrativa com seus deuses antigos. Estes deuses tinham muito interesse nos rumos da guerra, de modo que tudo que acontecia no céu repercutia nos rumos da guerra, e vice-versa. Daí surgiu a lei da holística – tudo no universo está interligado.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Então, após algumas décadas, outro daqueles homens resolveu também cantar os assuntos dos deuses. Mas, enquanto o poeta anterior pedia que a deusa cantasse para ele, este agora se dizia inspirado, de modo que era ele próprio quem proferia as palavras, e não a deusa. Era a segunda lei: o subjetivo, o homem pensava por si e era uma individualidade apartada do mundo, e este passou a ser o objeto de seu pensamento.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E este mesmo poeta deve ter, de fato, recebido uma grande inspiração de sua deusa, porque resolveu cantar as várias gerações dos deuses, narrando as sucessões de nascimentos nas famílias divinas. E esta foi a terceira lei: causalidade, tudo vem de alguma coisa que já havia antes – até mesmo os deuses.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Antes de tudo isso, no entanto, antes mesmo de o homem fazer registros por escrito, ele já se intrigava com os problemas do mundo e de si, e via tudo isso como uma coisa só. E assim criou a magia. Não vê? A magia preenche ao mesmo tempo seu anseio de mortal, que quer falar com os espíritos para entender seu lugar no mundo, bem como serve para flertar com o conhecimento objetivo da natureza. Explico: ao imaginar que seria do agrado do deus se fizesse o sacrifício de um boi para que houvesse chuva, o homem brincava com aquela lei de causalidade, até então inconsciente, da mesma forma que faz o cientista, conscientemente, ao estabelecer determinada meta e estipular a forma como exercerá seu controle sobre a natureza para atingir seu objetivo. Deus responde a ambos, mas em diferentes estilos.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Química ou alquimista? Estão ambas aí, conforme você ouça a poesia ou a exatidão.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-5787091846842497387?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/5787091846842497387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=5787091846842497387&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5787091846842497387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5787091846842497387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2009/02/cartas-alquimista.html' title='cartas à alquimista'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-1122061738546949057</id><published>2008-12-01T14:27:00.002-03:00</published><updated>2008-12-01T21:22:11.422-03:00</updated><title type='text'>Do haikai a Platão, a destragédia do ocidente.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu quero me redimir. Primeiramente, pelo fato de não ter atualizado este blog nos últimos três meses. Também, em razão de simplesmente ter esquecido de compartilhar com todos sobre o colóquio internacional sobre o pensamento japonês, promovido pela Fundação Japão nos dias 28 e 29 de novembro, cujas palestras me renderam a maioria dos insights no texto que segue. Encarem tal texto como uma tentativa de partilhar aquilo que lá ouvi, entremeado de minhas confusas considerações pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;*****&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Quase todo mundo já ouviu falar em haikai, forma poética japonesa cuja norma clássica foi estabelecida por Matsuo Bashô, pseudônimo de Matsuo Munefusa (1644-1694). O genuino haikai se trata de uma poesia em três versos, no esquema 5-7-5 sílabas. Minimalista, não tem rimas nem aparenta recorrer a qualquer tipo de metáfora ou figura de linguagem. Nem título há. Sua temática não remete a sentimentos ou qualquer subjetividade, sempre se falando da natureza. A idéia do poema é justamente transmitir o que se vê. Nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma razão profunda para isso, advinda do pensamento zen-budista. Essa corrente de pensamento se vale de diversos&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.atrifleofthis.com/images/Matsuo_Basho_210.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 210px; height: 282px;" src="http://www.atrifleofthis.com/images/Matsuo_Basho_210.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; exercícios para tentar enxergar, na sua própria contingência, o que há por trás dos fenômenos. A idéia é desconstruir a realidade através da apreensão de um instante, em sua estrutura discreta. Vejamos o poema de Bashô:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;yoku mireba&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nazuna hana saku&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;kakine kana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se se observar com cuidado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a flor da nazuna floresce&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;junto à cerca!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interpretação que se faz desse poema sempre ressalta o fato de que o "olhar com cuidado" implica que o eu-lírico não é mais mero observador, e que a flor ganha consistência e eloqüência em sua própria existência. Trocando em miúdos: sujeito e objeto interagem, e assim o conhecimento se constrói. Trata-se de uma visão do processo cognitivo como comunicação entre o homem e o mundo, e não como apreensão deste por aquele.&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O homem, que na tradição ocidental desde Platão foge da compreensão originária e direta das coisas pela observação, assume aqui a posição de um centro mole, tão passível de transformações quanto aquilo que ele vê. Quem vê é também visto. Sujeito e objeto são uma e só coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o páli e o sânscrito, línguas de que se serviu a doutrina budista, na Índia, e o próprio japonês, embora de forma mais sutil, se utilizam da chamada voz média para expressar essa diluição entre sujeito e objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em português não existe essa figura da voz média, ao menos como uma categoria separada daquilo que se entende como voz ativa e voz passiva. Tal diferenciação não existe nas línguas latinas e, por conseqüência, não foi estabelecida na gramática moderna do japonês, a qual se baseou nas categorias do latim (daí eu ter dito pouco antes que a presença da voz média do japonês é sutil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando: a voz ativa expressa a ação exercida pelo sujeito; e a voz passiva, a ação sobre o sujeito. Já a voz média expressará o meio termo ou a ausência dessa relação: a ação do verbo não é exercida por ninguém, nem sobre ninguém; ou é exercida pelo sujeito sobre si próprio - o que chamamos de voz reflexiva. A língua mais próxima de nós que estruturou explicitamente uma voz média foi o grego (é, nem tão próxima assim...). É o caso da forma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;phainestai &lt;/span&gt;(mostrar-se), que deu origem depois à palavra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;phainomenon &lt;/span&gt;(fenômeno). Não à toa, Heidegger tentou se valer de formas mediais para de&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.biomania.com.br/bio/images/img_releases/visao1.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 253px; height: 312px;" src="http://www.biomania.com.br/bio/images/img_releases/visao1.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;senvolver a sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fenomenologia&lt;/span&gt;, vez que o fenômeno nada mais é do que "o ente se mostrando". Um caso de voz média. Todo vir-a-ser só se pode exprimir por meio de construções mediais, pois não se sabe o que está para surgir desse processo, em que ainda não se tem o sujeito, tampouco o objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo menos obscuro, também do grego, mas que nos remete outra vez ao Bashô e à flor de nazuna, é o dos verbos relativos aos sentidos. A gente não vê a flor, a flor é que se mostra aos nossos olhos. Não que ela esteja conscientemente fazendo isso, é claro, mas em virtude da comunicação do eu com o mundo, como eu havia dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que, no fim das contas, esse pensamento nos leva a uma tautologia boa... nós modificamos o mundo, que também nos modifica... tudo se contamina de tudo, com tudo se misturando. Diante disso, fica até mais fácil compreender o porquê de os gregos e os orientais encararem o mundo de maneira cíclica, enquanto que os ocidentais de mentalidade latinizada (lembre-se que o médium inexiste em latim) só conseguem ver o mundo como uma linearidade (começo-meio-fim). Esse tipo de coisa nos privou daquilo que o oriente considera a forma mais pura de conhecimento: a apreensão imediata, aquele átimo em que os sentidos captaram o ser e ainda não houve tempo para se pensar nisso. Se não se pensou, não houve sujeito, se não se pensou, não houve objeto. Só a confusão de um e outro. Médium. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não penso, logo não existo &lt;/span&gt;seria uma afirmação muito mais verdadeira do que a originalmente formulada por Descartes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, isso nem é uma idéia tão distante assim da gente. Já diria Alberto Caeiro que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O único mistério do universo é o mais e não o menos.&lt;br /&gt;Percebemos demais as cousas - eis o erro, a dúvida.&lt;br /&gt;O que existe transcende para mim o que julgo que existe.&lt;br /&gt;A Realidade é apenas real e não pensada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, só me resta concluir que Descartes foi um canalh&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/dd/Michelangelo_Caravaggio_007.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 276px; height: 341px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/dd/Michelangelo_Caravaggio_007.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a que buscava a determinação do mundo pela mente, nada mais. Assim como Platão, bem antes dele. Aliás, para infelicidade deste mundo, Platão teve a boa idéia de deixar por escrito suas impressões, que interromperam a tradição científica que vinha se instalando com os pré-socráticos (vale recordar que um desses pensadores já discutia a formação da visão nos mesmos termos do haicaísta Bashô: interação entre a emanação do objeto e a apreensão do sujeito), tradição essa que ficou devidamente sepultada até a Idade Moderna.  Tanto maior foi o prejuízo para as gerações do mundo  quando  toda essa patifaria foi misturada com as neuroses de certo Paulo de Tarso, pois desde então, o homem reina sobre a materialidade do mundo, do qual dispõe com a benção divina. O ser humano se excluiu do processo da vida, do qual pensa ser espectador e beneficiário, numa existência sem conflito nem tragédia, o que lhe fez esquecer os próprios limites. Não se vê mais como uma peça da natureza. Baco foi mandado para as cucuias, que nem o Pan do poema de Barrett Browning ("Pã é morto, Pã é morto!").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Apolo perdeu a guerra em Tróia, ganhou todo o mundo moderno de bandeja, com os cumprimentos de Sócrates e Platão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas ao rodapé: &lt;/span&gt;1- Ficou tudo muito confuso. É informação demais, que rendeu viagem demais. Continuamos através dos comentários.&lt;br /&gt;2- A analogia da visão com o conhecimento me fez lembrar que, evolutivamente, a estrutura de percepção da luz é anterior ao cérebro, que se desenvolveu a partir da gradativa aglomeração das células responsáveis pela captação do estímulo luminoso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-1122061738546949057?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/1122061738546949057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=1122061738546949057&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1122061738546949057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1122061738546949057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/11/do-haikai-plato-destragdia-do-ocidente.html' title='Do haikai a Platão, a destragédia do ocidente.'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-4802581706275177579</id><published>2008-08-22T23:39:00.003-03:00</published><updated>2008-08-23T00:13:03.033-03:00</updated><title type='text'>Efemérides</title><content type='html'>Bom, hoje eu não tenho nada especial para postar. É meu aniversário e o dia foi bastante cheio! Portanto, para que a data não passe em branco, vou deixar aqui as efemérides deste dia, 22 de agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2003 - Explosão do foguete brasileiro na base de Alcântara-MA;&lt;br /&gt;1989 - Descoberto o primeiro anel de Netuno;&lt;br /&gt;1987 - Eu nasci XD;&lt;br /&gt;1981 - Morre o cineasta Glauber Rocha;&lt;br /&gt;1976 - Morte de Juscelino Kubitschek;&lt;br /&gt;1975 - Nascimento de Rodrigo Santoro (???);&lt;br /&gt;1947 - A Universidade Católica de São Paulo recebe o título de "Pontifícia" do papa Pio XII (essa é pros fransciscanos que ficam me zuando por ter nascido no "dia da PUC", hehe);&lt;br /&gt;1944 - Invasão da Romênia pela URSS;&lt;br /&gt;1942 - Entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial;&lt;br /&gt;1922 - Morte de Michael Collins, líder da independência da Irlanda;&lt;br /&gt;1920 - Nascimento do escritor Ray Bradbury;&lt;br /&gt;1917 - Nascimento do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bluesman &lt;/span&gt;John Lee Hooker;&lt;br /&gt;1914 - Primeiro combate entre britânicos e alemães na Primeira Guerra Mundial;&lt;br /&gt;1912 - Nascimento de Gene Kelly;&lt;br /&gt;1910 - Anexação da Coréia pelo Império Japonês;&lt;br /&gt;1906 - Venda da primeira vitrola do mundo;&lt;br /&gt;1904 - Nascimento do estadista chinês Deng Xiaoping;&lt;br /&gt;1902 - Nasce Leni Riefenstahl (morta em 2003), conhecida por idealizar "O Triunfo da Vontade", filme da propaganda nazista;&lt;br /&gt;1864 - Criação da Cruz Vermelha;&lt;br /&gt;1862 - Nascimento do compositor Claude Debussy (morto em 1918);&lt;br /&gt;1791 - Início da rebelião escrava no Haiti;&lt;br /&gt;1770 - A esquadra de James Cook desembarca na Austrália;&lt;br /&gt;1422 - Portugal substitui o calendário da era de César (cujo ano zero é 38 a.C.) pelo calendário da era cristã;&lt;br /&gt;1415 - Tomada de Ceuta pelos portugueses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 de agosto é também o dia mundial do folclore; e o dia das cidades de Colatina (ES), Araraquara (SP), Itororó (BA) e Linhares (ES). Esta última, diga-se de passagem, minha cidade natal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-4802581706275177579?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/4802581706275177579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=4802581706275177579&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4802581706275177579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4802581706275177579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/08/efemrides.html' title='Efemérides'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-760434807487026029</id><published>2008-08-02T00:23:00.002-03:00</published><updated>2008-08-02T01:29:39.925-03:00</updated><title type='text'>Às portas de Colono</title><content type='html'>Édipo e Antígona aguardavam fatigados, após longa viagem, o chamado dos anciãos de Colono, que deliberavam sobre a possibilidade de acolher aqueles dois viajantes em sua cidade. Não era para menos: o nome de Édipo estava associado a todo tipo de desgraça; sua relação incestuosa subvertia qualquer certeza pretensiosamente natural: ele era homem, era filho, era tio, era pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natural concluir, portanto, que os prudentes anciãos não poderiam aceitar tal ameaça aos axiomas que regiam sua sociedade. Tal afronta não podia ter lugar na sua cidade. Por mais que os deuses recomendassem o dever de responsabilidade e a boa fama da cidade o confirmasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso, a jovem Antígona apelou aos anciãos, para que estes os acolhessem por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;compaixão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa frase me fez duvidar da inocência da criança. Aqui está enunciada uma distinção fundamental, qual seja aquela entre ética de princípios e ética de conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se pauta pela ética de princípios não trai suas convicções. Custe o que custar. Na ética de conseqüências, nossas convicções podem ser deixadas de lado, sopesados, em nome de um resultado satisfatório e possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma apologia ao maquiavelismo? "Se o resultado é digno, não importa o que vamos fazer..." Não. Antígona apenas está lembrando que não existe apenas a ética de princípios. Que nem sempre é coerente viver e morrer por um princípio sem questionar. Ambos os extremos desconsideram algo muito importante, que é a percepção de que tudo está interligado, e não podemos agir a despeito do contexto em que estamos inseridos. Nossos planos devem considerar a existência de algo maior. Portanto, a mensagem que fica é: nada de Hybris, nada de desmedida. Aliás, para os gregos, a desmedida poderia se dar tanto para mais quanto para menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso aliás, é evidenciado pela fala de Édipo, logo em seguida, que pergunta de que vale tanta honra e glória, se tudo vai ficar em palavras vãs. Como é sabido, a honra para o grego vinha da ação. Mas a ação também não vale de nada se não houver parcimônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refletir para agir, e agir refletidamente. Eis a moral da história.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-760434807487026029?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/760434807487026029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=760434807487026029&amp;isPopup=true' title='33 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/760434807487026029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/760434807487026029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/08/s-portas-de-colono.html' title='Às portas de Colono'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-3561828958217335321</id><published>2008-07-26T00:29:00.004-03:00</published><updated>2008-07-26T01:40:31.220-03:00</updated><title type='text'>De bárbaros, acentuação e devaneios...</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;- Certo... e o endereço da senhora é lá mesmo, na rua &lt;i&gt;Telórico &lt;/i&gt;de Almeida...?&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;- &lt;i&gt;Telorico – &lt;/i&gt;retrucou a moça.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;“De onde diabos eu tirei ‘Telórico’?”, pensou L., enquanto seguia atendendo a cliente da unidade em que estagiava fazia pouco tempo. Como era muito perfeccionista, tentava cuidar de tudo milimetricamente, como se não soubesse que sua condição de novato lhe permitia o capricho de uma ou outra falha mínima. E prosseguia em seus pensamentos, enquanto preenchia a ficha do caso daquela moça que, embora tratasse por &lt;i&gt;senhora&lt;/i&gt; em razão do distanciamento que o trabalho obriga, era pouco mais que uma recém-adulta que engravidara do namorado e agora se via entregue ao deus-dará porque o cara não comparece com qualquer ajuda para a criança, seja por safadeza, pobreza, incerteza, ou qualquer outra mazela que não necessariamente seguirá a rima.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;“Por que diabos eu li ‘Telórico’? Por que esqueci a regra mais descomplicada da língua portuguesa, a saber: ‘toda proparoxítona é acentuada’? Se não tinha acento, eu deveria ter lido ‘Telorico’ mesmo, não ‘Telórico’... será que eu associei a ‘calórico’, ‘histórico’ ou qualquer palavra do tipo? Falando em ‘histórico’, antes houvesse associado a Alarico, Odorico ou qualquer outro desses nomes de reis bárbaros – lista na qual possivelmente consta algum Telorico – e não teria pronunciado errado”.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;Pode parecer muito barulho por nada. Em verdade, não foi. Tal devaneio só tomou alguns segundos da atenção de L., que logo tornou seus olhos para a tela, dando prosseguimento ao atendimento.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;- Ah, sim, &lt;i&gt;Telorico, &lt;/i&gt;perfeitamente... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;Mais tarde, naquele mesmo dia, a chefe de L. iria conferir a petição elaborada por ele. Ela também se deteria, com algum estranhamento, diante daquele nome incomum. No entanto, de sua boca sairia a pronúncia correta.&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;Quem terá sido Telorico? Que terá ele feito de tão grandioso para, em sua empáfia de xará de rei ostrogodo, dar nome a uma viela de comunidade de periferia sobre a qual certamente não exerceu o menor impacto, seja na vida ou na morte? Quem foi esse homem, merecedor de ter seu nome imortalizado na memória, ainda que dos relativamente poucos moradores daquela rua, a ponto de o seu nome ser o único digno de menção?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;L. não ia mais pensar a respeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-3561828958217335321?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/3561828958217335321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=3561828958217335321&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3561828958217335321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3561828958217335321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/07/certo.html' title='De bárbaros, acentuação e devaneios...'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-4900068287963089203</id><published>2008-07-12T00:18:00.005-03:00</published><updated>2008-07-12T01:16:18.251-03:00</updated><title type='text'>Os dez mais</title><content type='html'>Hoje não é texto, é uma pesquisa empírica. Como o meu barato é jogar os problemas para que quem leia possa trabalhá-los comigo, lá vai a pergunta que vi num site:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quais são os dez filmes/discos/livros que você levaria para uma ilha deserta?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenção: não se trata de escolher os dez melhores de todos os tempos ou algo do tipo, apenas apontar quais os dez que, devido ao seu próprio gosto ou preferência, tornariam sua rotina de náufrago um pouco mais leve. Depois eu digo os meus em comentário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-4900068287963089203?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/4900068287963089203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=4900068287963089203&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4900068287963089203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4900068287963089203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/07/os-dez-mais.html' title='Os dez mais'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-1645345905002262411</id><published>2008-06-28T00:21:00.003-03:00</published><updated>2008-06-28T01:13:14.239-03:00</updated><title type='text'>Cxu Vi scias esperanton?</title><content type='html'>2008 foi declarado pela ONU como o ano internacional das línguas! Em virtude disso, pretendo postar, ao longo do ano, alguns textos sobre esse assunto tão fascinante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o primeiro post dessa série será dedicado ao esperanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mi scias, kaj Vi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O esperanto é uma língua internacional, idealizada pelo médico polonês Ludvik Lejzer Zamenhof, que publicou a primeira gramática do idioma em 1887. Ao que parece, a inspiração de Zamenhof veio da constatação de que o entendimento entre os povos passa, em grande parte, pelo domínio de um idioma neutro como veículo de comunicação entre os diferentes grupos humanos. O próprio Zamenhof sentiu essa necessidade em seu cotidiano, enquanto jovem judeu habitante da Polônia, majoritariamente católica e, à época, dominada pelo Império Russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ele cresceu num ambiente multicultural - e pouco harmonioso. Utilizava-se cotidianamente de três idiomas: russo, polonês e hebraico; além de adquirir conhecimentos posteriores em latim, grego, inglês, alemão e francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa conjugação de experiência de vida, necessidade prática e conhecimento acumulado permitiu a Zamenhof conceber artificialmente uma língua cujo léxico se dividia entre a herança do vocabulário latino (aproximadamente 60%) e germânico (40%), e de fonética eslava. O esperanto é dotado de um sistema de derivação de palavras que potencializa a riqueza lexical quase ao infinito, através de um bem construído sistema de prefixos, sufixos e termos correlativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extremamente fácil (fundamentado em 16 regras gramaticais elementares), sendo possível de assimilar em questão de semanas, e com elementos comuns à maioria das línguas européias, o esperanto teve uma difusão rápida e muito mais bem-sucedida do que aquela experimentada por outros projetos de língua internacional, como o Volapuque e o Ido, a despeito de dificuldades tais como a perseguição dos esperantistas pelos regimes totalitários do século XX (a família Zamenhof pereceu em Auschwitz; Stálin considerava a língua um instrumento do capitalismo ocidental...) ou a falta de informação a respeito da língua, muito grande até hoje, apesar das facilidades da internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu divulgo o esperanto. Hoje nem tanto pela ideologia que o informa, que é sublime, mas um tanto utópica, a meu ver, e sim pela sua reconhecida propriedade propedêutica: é fora de questão que o esperanto pode auxiliar em muito no aprendizado de outras línguas. Em última análise, permite o acesso a uma forma bastante interessante e original de contracultura, por assim dizer. Em seguida, deixo alguns links que podem falar muito mais do que essa breve exposição que tentei fazer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperanto na Wikipedia:   http://pt.wikipedia.org/wiki/Esperanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wikipedia em esperanto (maior que muitas versões em línguas naturais por aí):&lt;br /&gt;http://eo.wikipedia.org/wiki/%C4%88efpa%C4%9Do&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curso de esperanto para baixar:    http://www.kurso.com.br/bazo/index.php?pt&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;No orkut:  http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=138781&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brazila Esperanto-Ligo (Liga Brasileira de Esperanto):  http://esperanto.org.br/p/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lernu esperanton!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-1645345905002262411?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/1645345905002262411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=1645345905002262411&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1645345905002262411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1645345905002262411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/06/cxu-vi-scias-esperanton.html' title='Cxu Vi scias esperanton?'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-3036973207746764627</id><published>2008-06-21T00:41:00.004-03:00</published><updated>2009-11-16T23:03:47.740-03:00</updated><title type='text'>inconstante cosmológica</title><content type='html'>(divagando um pouco sobre uma leitura de jornal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No consultório:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Doutor, ele não come, não faz mais o dever de casa...&lt;br /&gt;- Alvy, o que está acontecendo?&lt;br /&gt;- O universo está se expandindo...&lt;br /&gt;- Mas o que você tem a ver com isso, meu filho?!&lt;br /&gt;- Se o universo está se expandindo, então tudo vai acabar...&lt;br /&gt;- Mas o Brooklin não está se expandindo!&lt;br /&gt;- Ora, Alvy, isso ainda vai demorar BILHÕES de anos! Então vamos simplesmente aproveitar enquanto estamos aqui, sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvy Singer, personagem de Woody Allen em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Annie Hall&lt;/span&gt;, comicamente perdia o sono de sua infância graças ao problema da expansão do universo. Mal sabia o moleque que isso anda fazendo muita gente grande perder o sono desde que Edwin Hubble comprovou que o universo está se expandindo, em 1924.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz precisamente dez anos que se repropôs o problema da energia escura, que atua como um repelente no cosmo. Tudo começou quando as medições do movimento das galáxias pelo Hubble (agora é o telescópio, não o astrônomo) revelaram que estas têm se afastado num movimento acelerado. Isso é bizarro porque, considerando-se o sistema total do universo, a taxa de aceleração com que se movem as galáxias contraria a atuação da gravidade, que, segundo se acreditava, atuaria freando a expansão do cosmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na busca de uma razão teórica para esse paradoxo (já que ausente qualquer perspectiva de verificação empírica), chegou-se a Einstein (sempre ele). Curiosamente, Einstein acreditava, assim como Galileu e muitos antes dele, que o universo era imóvel, muito embora não ignorasse as dificuldades oferecidas pela influência da gravidade entre os corpos. Assim, formulou a idéia de uma constante cosmológica, que atuaria justamente em contraposição à ação gravitacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posteriormente, o físico alemão acabou silenciando sobre essa questão, enquanto prevalecia a idéia de que o universo estava sim em expansão, sob a influência unicamente da ação gravitacional, que levaria enfim ao movimento de contração total do universo - o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;big crunch &lt;/span&gt;- e, daí, o recomeço do ciclo. Idéia velha, na verdade. Basta lembrar Hesíodo e a relação entre o Cosmo e o Casma, parcela do Caos que permaneceria em torno do universo, finalmente o engolindo para, daí, reiniciar a ciranda cósmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, a idéia de Einstein foi ressuscitada. Essa energia escura, que repele as grandes estruturas do universo, seria a constante cosmológica por ele imaginada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns problemas ainda estão em aberto. Por que essa energia escura não se manifesta em porções pequenas da matéria bariônica, como um corpo que cai aqui na Terra? Se ela se manifesta como mais uma força da natureza - em oposição à gravidade - porque é percebida como uma constante, e não de modo a variar segundo as condições de espaço e tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É Alvy, melhor tratar de dormir mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-3036973207746764627?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/3036973207746764627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=3036973207746764627&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3036973207746764627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3036973207746764627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/06/inconstante-cosmolgica.html' title='inconstante cosmológica'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-3769338462997984339</id><published>2008-05-24T00:25:00.006-03:00</published><updated>2008-05-24T01:50:26.311-03:00</updated><title type='text'>Sobre porretes, revoluções e joysticks</title><content type='html'>Hoje eu fui assistir ao novo filme do Indiana Jones. Não vou fazer resenha, quem quiser que assista e tire suas próprias conclusões sem influências prévias, mesmo porque eu não sou nenhum grande entendido em sétima arte para me meter a fazer crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu posso dizer sem contar muito do filme e, portanto, sem estragar a diversão de quem ainda pretende vê-lo, é que lá exploram a temática do conhecimento tecnológico de povos antigos. Tecnológico aqui entendido como tecnologia "moderna", porque a partir do momento em que o macaco pegou o bastão para bater no rival (aqui remeto a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;2001 &lt;/span&gt;do Kubrick, com a abertura de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Assim falou Zaratustra, &lt;/span&gt;do Richard Strauss, tocando ao fundo), já tínhamos aí um artefato tecnológico, quando o australopiteco descobriu as relações de causalidade e as aplicou mediante um ato de violência contra a natureza - ao utilizar-se de um instrumento, conceber uma ferramenta - para obter do meio o que ele necessitava (no caso do filme - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;2001,&lt;/span&gt; não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Indiana... -&lt;/span&gt; era violência mesmo, já que o símio usou essa lógica para descer o cacete no outro macaco) .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Duas coisas me ocorreram durante a projeção. Duas coisas igualmente espantosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira diz respeito justamente às surpresas que pode nos causar a mensuração do nível tecnológico dos antigos. É. Eu fui daqueles que leu muito os livros de Erich v. Däniken... cheguei até a escrever para ele uma vez - num inglês sofrível de Ginásio, é verdade - , porque ele coordena uma associação que se propõe provar as teorias dele a respeito dos avanços tecnológicos dos "primitivos" e uma provável influência extraterrestre por trás disso (idéia que eu não acho que esteja tão bem fundamentada hoje, mas também não acho nenhum absurdo). Como resposta da cartinha recebi um monte de informações sobre a tal associação, que eu tenho até hoje, embora na ocasião eu não tenha dado continuidade à empreitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eram os deuses astronautas &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os olhos da Esfinge&lt;/span&gt; embalavam minha imaginação de aspirante a arqueólogo e eram praticamente leituras de cabeceira. Agora mesmo, tenho em mãos um exemplar da 50ª edição de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eram os deuses...&lt;/span&gt; (50ª! um best seller mesmo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao ponto: nessas obras, v. Däniken aponta uma série de artefatos e conhecimentos de povos bastante recuados no tempo que demonstrariam o domínio de técnicas que só viriam a ser "redescobertas" até dezenas de séculos mais tarde. Desde os relatos religiosos, que falavam em deuses voando em carros de fogo (os textos sagrados hindus), bombas atômicas (Sodoma e Gomorra, há quem diga) e teoria da relatividade (o profeta Elias, que ao cabo de algumas horas de ascensão à presença divina teria percebido que, na verdade, lá passou vários anos) até evidências mais palpáveis e nem por isso menos intrigantes, tais como o conjunto de vaso e haste de argila revestida de cobre encontrado no Iraque que, posto em movimento, produz eletricidade suficiente para acender uma lâmpada; a arquitetura das pirâmides ou de certas construções pré-colombianas que parecem soldadas... parodiando Shakespeare, não só entre o céu e a terra há muito mais do que se supõe, mas também entre o passado e o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o segundo ponto que me pegou diz respeito ao presente mesmo. Agora mesmo estamos passando por uma revolução tecnológica do caramba e, ao contrário do que parece ter ocorrido em todas as outras ocasiões da História em que isso aconteceu (Revolução Agrícola, Urbana, Industrial...) a gente não se dá muita conta disso, e age com a maior naturalidade. Os recursos utilizados para rodar um filme desse naipe, por si só, nos dá notícia de como as coisas têm evoluído rápido. O ritmo é estonteante e ao mesmo tempo natural. Enquanto foi necessário esperar umas três gerações para nos acostumarmos com a passagem do cinema mudo ao technicolor, a minha geração viu o Atari (ou algum similar nacional, como o dismac) e o Wii. E um simples jogo de tênis em um e outro definitivamente não é a mesma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sem certa nostalgia, percebi que o Indy de hoje, do nosso cinema cheio de truques de encher os olhos, também não é como o de ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Droga! Eu tinha dito que não ia opinar sobre o filme...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-3769338462997984339?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/3769338462997984339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=3769338462997984339&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3769338462997984339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3769338462997984339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/05/sobre-porretes-revolues-e-joysticks.html' title='Sobre porretes, revoluções e joysticks'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-8414546040790886185</id><published>2008-05-03T00:54:00.007-03:00</published><updated>2008-05-03T21:29:37.321-03:00</updated><title type='text'>intrigado</title><content type='html'>Hoje eu gostaria de postar algo bem sucinto, que eu teria acrescentado em algum post anterior, caso não houvesse esquecido de fazê-lo. Diz respeito a uma entrevista que me chamou a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do conteúdo de muitos dos meus textos, com certeza alguém deve pensar que eu sou meio obcecado com a temática da morte, o que não é verdade. O que me intriga é a reação das pessoas frente a essa questão que, assim como algumas outras grandes questões da vida (das quais eu também tento tratar aqui), revelam muito daquilo que o ser humano prefere silenciar, quando não acabam servindo mesmo de motor para as coisas que o homem faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Faz já algum tempo. Eu estava assistindo ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Globo Esporte&lt;/span&gt;. Devia estar muito entediado para assistir aquilo, porque eu tenho uma birra com programas esportivos em geral, pois eles socam futebol e Fórmula 1 o ano inteiro e, com algumas exceções, só se lembram de esportes "menores" (e não tão bem patrocinados, diga-se) quando o Brasil tá em final olímpica ou algo do tipo (alguém aí ouviu falar em Tae Kwon Do depois do Pan?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo. Como eu dizia, estava assistindo ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Globo Esporte&lt;/span&gt;. Eis que passou uma entrevista com uma nadadora cujo nome infelizmente não retive, e que sofria algum tipo de doença degenerativa que, até onde pude entender, invariavelmente a levaria a um estado vegetativo e daí à morte. No entanto, ela continuava nadando, a despeito das dificuldades cada vez maiores, o que é, sem a menor dúvida, louvável e até mesmo exemplar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualifico assim a atitude dela porque acho que a gente reclama muito da vida. Vivo dizendo às pessoas que temos que ser mais otimistas, que por mais que elas não queiram ver, nossas vidas são iluminadas e que o problema muitas vezes é conseqüência de nossas bobagens mesmo. Mas o ponto não é esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me chamou a atenção, de verdade, foi uma frase que ela disse e que passou despercebida na matéria... ou pelo menos foi extremamente sutil. Ela disse algo do tipo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"... é muito duro estar aqui sem nem ao menos saber quando morrerei"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião eu fiquei realmente espantado com essa frase. Talvez até de forma desproporcional, dado o contexto em que ela foi proferida. Só o que me ocorreu foi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"e alguém sabe?".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-8414546040790886185?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/8414546040790886185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=8414546040790886185&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/8414546040790886185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/8414546040790886185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/05/intrigado.html' title='intrigado'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-1312369027366116733</id><published>2008-04-26T00:46:00.002-03:00</published><updated>2008-04-26T01:53:41.168-03:00</updated><title type='text'>9.0 Richter</title><content type='html'>Terça-feira foi um dia normal. Trabalhei, estudei e fui para a faculdade à noite. Lá encontrei amigos...comemos, bebemos e conversamos animadamente. Normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí eu volto para a sala e alguém pergunta: "Teve terremoto?" Diante do nonsense da pergunta, minha única reação foi rir e voltar aos meus afazeres. Só quando eu cheguei em casa que soube, surpreso, que efetivamente houve um tremor de terra horas antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que coisa. Meros cinco segundos (acho que foi isso) de tremor, que muita gente nem sentiu, e foi o bastante para horas e horas de sensacionalismo barato na tevê. Obviamente que eu perdi algum tempo pensando a respeito, como não poderia deixar de ser... Por que tanto se falou nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho uma teoria. Uma teoria que tem a ver com as pessoas ao meu redor (boa parte delas, pelo menos) e comigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas buscam segurança. Buscam por certezas na vida. É realmente desesperador imaginar que o chão, aquilo que temos como mais firme nesse mundo - pelo menos no Brasil - de repente não nos oferece mais a segurança a que estamos acostumados. Isso só me faz crer, cada vez mais, que segurança é ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ilusão no sentido de que é só mais uma sensação da nossa mente, que se fecha à realidade que insiste em tentar em nos mostrar que, bem ou mal, tudo acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na faculdade nos falam sobre a segurança que o direito oferece à sociedade. Engraçado como essa idéia resiste a todas as revoluções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tratamos de construir algo com as pessoas ao nosso redor. É-nos abominável a idéia de morrer no abandono...é menos penoso imaginar-se no leito de morte velhinho, rodeado de entes queridos, talvez. Mas sempre nos esquecemos de que, no instante em que a última centelha que nos anima se extinguir, estaremos invariavelmente sós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo algumas pessoas passando por situações pouco agradáveis. Algumas confiam numa Providência que vai dar um jeito em tudo. Outras são otimistas, apenas. Há ainda os que se entregaram à inércia do conformismo ou ao niilismo. Daqueles que, por outro lado, tentam mudar o que acham que não está bom em suas vidas, alguns obtêm êxito. Seja porque conseguiram aquilo que queriam, seja porque isso serviu para operar uma mudança em si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida neste mundo é mudança. Mesmo nossas escolhas envolvem riscos, e tentamos nos cercar de todas as garantias quando temos que escolher um caminho. Isso não é escolha! Escolher nunca deixará de implicar perda... pelo menos daquilo que se deixou de escolher. Outro dia me disseram (manifeste-se nos comentários quem o fez, não se deixe impedir pela modéstia) que para nascer é necessário romper justamente com aquilo que nos mantém vivos! E isso de fato é lindo porque ironicamente ou não, intencionalmente ou não, dramaticamente ou não, isso é a síntese de tudo o que nos aguarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que me disseram: a vida não é uma sucessão de fases intercaladas por provações: escola - vestibular - trabalho... É uma continuidade de contingências determinadas por escolhas que quase nunca estamos em posição privilegiada o bastante para analisar com cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quis fazer auto-ajuda. Não quis fazer desabafo. Mas eu tinha que fazer essas observações antes de ir dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-1312369027366116733?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/1312369027366116733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=1312369027366116733&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1312369027366116733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1312369027366116733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/04/90-richter.html' title='9.0 Richter'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-4666686859178469275</id><published>2008-04-05T23:54:00.004-03:00</published><updated>2008-04-06T01:10:35.102-03:00</updated><title type='text'>Do tributo ao atributo</title><content type='html'>Prova de Direito Tributário na segunda. O monitor da matéria enviou seis provas diferentes por e-mail, sendo que uma delas é a "oficial", aquela que a gente vai receber na hora. Com isso eu já fiquei meio p... da vida porque na prática isso significa ter que resolver seis provas. Depois a raiva passou, juntei-me a algumas pessoas e dividimos o bolo. Pensando bem, até que isso tudo não é de todo mau, pelo menos na hora da prova não corro o risco de me deparar com algo que eu não estudei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, quando eu já estou conformado, abro o arquivo das provas. Vem lá um caso prático e em seguida alguns itens para responder. Aparentemente nada muito desafiador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro ponto pedia para determinar os principais institutos jurídicos envolvidos no caso. Daí comecei a refletir sobre o que diabos eu deveria entender por "instituto jurídico" e comecei a viajar. Vai vendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado pensar sobre o significado das palavras, porque parece que a gente chega, em última instância, num grande vazio. A título de exemplo, um exercício metalinguístico: o verbete "dicionário" provavelmente nos remeterá a "livro" e este, por sua vez, a "obra", que me remeteu a "trabalho", e daí a "atividade", definida como "qualidade", daí passando a "atributo" e então a "ser". Resolvi fechar o dicionário nesse ponto, em que a pesquisa começava a se tornar literalmente metafísica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje eu estava lendo a Paidéia, livro que eu comecei a ler pelo menos uns seis meses antes de iniciar este blog (o que já faz um ano, por sinal) e ainda estou na metade. Um dia eu ainda consigo terminar a l&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/79/Platon-2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 263px; height: 368px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/79/Platon-2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;eitura. Enfim, sem divagações: lá eu estava lendo sobre Platão, mais especificamente sobre um diálogo dele em que Sócrates, desocupado-mor de Atenas (palavras minhas, até porque o Jaeger acha esses caras o máximo) estava discutindo com um sofista sobre a essência da virtude. O problema era mais ou menos o mesmo que surgiu para mim, já que Sócrates queria demonstrar que as várias qualidades que a gente reconhece como virtuosas (justiça, heroísmo, discernimento etc) não são elas próprias virtudes, senão aspectos da Virtude, que é única, justamente pelo fato de reconhecermos virtude em todas essas ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tudo isso só pode levar à Teoria das Idéias do Platão. Aí a coisa fica mais complicada. A teoria original, segundo Jaeger, está fundada nessa concepção de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eidos&lt;/span&gt;, que seria exatamente o resultado desse exercício de generalização. O que ferra tudo é que Platão apela para a questão da reencarnação para explicar o porquê de reconhecermos as essências das coisas. Jaeger diz também que a Teoria das Idéias sofreu deturpação pela Lógica moderna que, apoiada em Aristóteles, afirma que em vez de resolver o problema do Ser, Platão teria complicado ainda mais, fazendo uma duplicação desnecessária do Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que eu concordo com o Jaeger. Dá mesmo para defender que a resposta de Platão era de cunho lógico, e não ontológico; logo, ele não poderia ter pensado que os conceitos existem materialmente... até porque "conceito" nem era uma noção estabelecida à ocasião. Não que a explicação do Platão não tenha outros problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que os sofistas, adversários de Sócrates (se ele também era um sofista, aí já é questão pra outro dia), é que estavam certos? Será que, no fim das contas,  é tudo totalmente relativo mesmo? A gente sempre pensa a palavra como um instrumento, mas aí eu penso que toda ferramenta tem que ter algo por trás para poder agir. E, ao fazer essa análise, seja com os vocábulos, seja com as idéias, o único destino que eu vejo é uma regressão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;d infinitum&lt;/span&gt; - ou talvez pior - ao vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica aí a provocação. Voltarei a esse tema, mas não agora. Preciso continuar a responder as questões nem tão existenciais do Direito Tributário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nota ao rodapé:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Imagem: Platão, do verbete de mesmo nome, na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Wikipedia&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-4666686859178469275?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/4666686859178469275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=4666686859178469275&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4666686859178469275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4666686859178469275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/04/do-tributo-ao-atributo.html' title='Do tributo ao atributo'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-4245517751881451006</id><published>2008-03-28T23:58:00.005-03:00</published><updated>2008-03-29T01:07:25.844-03:00</updated><title type='text'>um pouco de papo furado...</title><content type='html'>Em Acintita Sutta (algo como "discurso sobre o inconjecturável"), o Buda Xáquia Muni diz que há quatro coisas sobre as quais não se deve perder tempo pensando, pois seria caminho certo para a loucura, a saber: a extensão dos poderes desenvolvidos pelo estado de Buda; a extensão dos poderes no estado de Jhana (resumindo bastante: estado de meditação profunda); a Lei do Carma; e a origem do mundo. Segundo ele, são coisas a respeito das quais não se pode comprovar teorias, e provavelmente um estudo mais sério a respeito poderia ser, além de infrutífero, enlouquecedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por experiência própria, sei que ficar investigando a origem do mundo realmente pode pôr alguém doido. Aliás, a esse respeito ver um post que eu escrevi lá no começo do blog quase, sobre Parmênides... foi ele quem mais me perturbou com suas teorias. No entanto, gostaria de trazer mais alguns questionamentos que, mesmo sendo explicáveis em certo sentido, não deixam de ser fascinantes, porque, afinal de contas, esse mundo é realmente muito estranho e como me foi dito a alguns meses, a natureza não é lógica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- A gente aprende na escola que o cerebelo é um cérebro primitivo. Então me respondam: por que ele é responsável pelos movimentos mais refinados do corpo, que provavelmente só se manifestam culturalmente? Quero dizer, o cerebelo é responsável pelo equilíbrio e por movimentos de destreza ou delicadeza. Esses últimos só passaram a ser mais visados quando o homem descobriu a técnica, o instrumento e a arte...ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Nós precisamos nos alimentar para viver. No entanto, o metabolismo do alimento oxida nossas células. Curioso, não? Aquilo que fazemos para viver é responsável, ao mesmo tempo, pela nossa morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Seguindo um pouco pela mesma linha dialética do tópico anterior, a personagem-título do romance &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sidarta&lt;/span&gt;, de Hermann Hesse, diz a seu amigo Govinda que aprendeu a respeitar todos os seres vivos e não-vivos porque eles contêm em si o germe de Buda e da perdição. Trocando em miudos: considerando o big-bang a origem do universo, você, de alguma forma, já estava lá. Do mesmo modo, você já foi tudo que existe. Tudo isso sem nem sair do lugar, porque se não houver nada além do universo, não há que se falar em referencial no espaço (remeto ao texto sobre Parmênides - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Matando o tempo&lt;/span&gt; - mais uma vez). Ou seja: você é o todo se diferenciando num desenvolvimento interno. Talvez por isso que, em mais de uma ocasião, eu perdi a noção de individualidade meditando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, dá mesmo para ficar meio louco. Assombrado, pelo menos. Como se já não bastasse o mundo visível e seus simpáticos habitantes para nos enlouquecer, ainda procuramos o que está além para nos gerar alguma angústia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-4245517751881451006?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/4245517751881451006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=4245517751881451006&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4245517751881451006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4245517751881451006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/03/pensando-muito.html' title='um pouco de papo furado...'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-6565414109174117081</id><published>2008-03-22T23:48:00.005-03:00</published><updated>2008-03-23T01:40:00.872-03:00</updated><title type='text'>(des)Encanto</title><content type='html'>Semana Santa na televisão é SEMPRE a mesma coisa... filme da Paixão de Cristo, de Moisés, Príncipe do Egito et cetera e tal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu ache ruim. Agora mesmo, estou assistindo a um filme sobre Moisés (mais especificamente a cena em que os primogênitos dos egípcios morrem)... Curto a tentativa de reconstituição histórica e cultural da coisa toda. Para alguém que quando mais jovem queria ser arqueólogo (taí um exemplo de como muitas coisas acabam perdendo o encanto com o passar do tempo...essa idéia vai permear todo o texto), todo esse clima de Antigüidade é bastante convidativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ultimamente, em relação aos relatos religiosos de um modo geral, tenho refletido mais sobre o fascínio das estórias do que sobre a confirmação da História. Tudo ao mesmo tempo épico e singelo, terno e retumbante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(opa, Moisés está abrindo o Mar Vermelho agora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um aspecto particular que me encanta e intriga: os deuses eram tão mais próximos de nós antigamente! Falavam conosco, combatiam conosco... alguns até transavam conosco (não que eu me inclua aqui, foi força de expressão). Por que será que, depois da Antigüidade, a atuação de todas as entidades de todos os panteões parece ter se tornado mais discreta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Credo quia absurdum&lt;/span&gt;, dizia Tertuliano. Diante do que se afigurava para nós absurdo, só restava mesmo crer. Hoje a ciência está aí, explicando fenômenos outrora assombrosos (agorinha mesmo, Moisés tirou água da pedra), não deixando muito lugar para divindades, santos e mitos no coração das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por amor à filologia e ao meu último post, quando eu criticava a mania de citações, tenho que fazer um parêntese aqui: Tertuliano nunca disse essa frase. O texto original dizia &lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;i&gt;credibile est, quia ineptum est (De carne Christi &lt;/i&gt; 5.4); e dizia respeito, como sugere o título da obra, à polêmica presente nos primeiros tempos do Cristianismo, a saber: seria Cristo feito de carne como nós ou uma presença imaterial? (à primeira vista ambas as frases têm idêntico sentido, e o tema cabalístico demais para desenvolver aqui, portanto remeto o leitor de uma vez por todas para &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;http://www.tertullian.org/articles/sider_credo.htm &lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando. A ciência ultimamente tem se "intrometido" muito na seara da religião, que a meu ver não tem que ter tanto compromisso com racionalidade. Pelo menos não por si. Mas o raciocínio que se propõe lógico, científico e irrefutável está sempre visitando o campo da religião. Às vezes, isso acontece por convite da própria religião, como se deu com a adaptação do aristotelismo ao catolicismo (influência inexistente entre os cristãos orientais) ou, para pensar num exemplo mais afastado de nossa realidade, com o Budismo indiano, que através dos tratados do Abhidhamma Pitaka pretende descrever o conjunto de todas as sensações possíveis através do cruzamento de séries de categorias fundamentais, ou seja, conferindo lógica a Maya (o mundo visível) por meio de permutações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, parece que o homem está mesmo disposto a trocar a sarça ardente do deserto pela árvore de possibilidades da matemática (diga-se, aliás, que no colégio esta me parecia muito mais árida).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes, a ciência faz suas incursões à revelia da religião. Desde as bizarrices - nem tão bizarras assim - do v. Däniken, que corre o mundo tentando provar que os deuses na verdade eram astronautas, até os cientistas que atribuíram as pragas do Egito a um desequilíbrio ambiental, passando por muito mais coisas que soam um tanto desnecessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justiça seja feita, muitas vezes a reação da religião diante da ciência é desproporcional e tola (Galileu e células-tronco são casos paradigmáticos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não penso, entretanto, que tudo se resuma a uma treta de foice entre a fé e o ceticismo do progresso da ciência, por mais que estejamos vivendo uma nova revolução tecnológica, a passos muito mais largos do que as anteriores, e quase ninguém se dê conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja o homem que se desencantou. Faz alguns milênios que trocamos as florestas pela civilização, novos espaços foram se diferenciando desde então (política, economia e mesmo família...campos que antes caminhavam junto da religião) e isolando o espaço do fantástico. Nos afastamos da natureza e, conseqüentemente, do divino. Quer coisa mais discrepante do que procissão de domingo de Ramos no centro de São Paulo? A esse respeito, vale lembrar que existem estudos muito interessantes - sim, científicos - sobre a correlação entre a diversidade do ecossistema e a pluralidade de entidades duma religião (o que ajudaria a entender o porquê de os povos do monótono deserto tenderem à monolatria enquanto que os gregos tinham aquela multidão de deuses...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. Talvez eu esteja me encaminhando para conclusões um tanto românticas e idealistas, motivo pelo qual fico por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Oxalá um pagão ainda eu fosse,&lt;br /&gt;Por velhas ilusões acalentado.&lt;br /&gt;A paisagem seria bem mais doce&lt;br /&gt;E o mundo muito menos desolado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;William Wordsworth, poeta inglês (1770-1850).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E Moisés acaba de receber as tábuas da Lei).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-6565414109174117081?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/6565414109174117081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=6565414109174117081&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/6565414109174117081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/6565414109174117081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/03/desencanto.html' title='(des)Encanto'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-7866538658596635477</id><published>2008-03-02T22:06:00.016-03:00</published><updated>2008-03-04T22:28:26.310-03:00</updated><title type='text'>Com o ouvido no rádio</title><content type='html'>Hoje eu gostaria de fazer algo diferente: comentar notícias. Nada grandioso como a independência do Kosovo (cuja pronúncia correta descobri ser "Kosôvo"...falta saber se o s tem som de z ou ç) ou o estardalhaço do Chávez posicionando tanques na fronteira com a Colômbia...nem a "renúncia" de Fidel e do Putin, nada disso (nossa, tem muita coisa acontecendo mesmo...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez eu estava ouvindo a CBN e o repórter comentava sobre a quantidade absurda de citações erradas que os parlamentares têm feito em seus discursos em Brasília. Eu já havia lido algo a respeito numa dessas Vejas que infestam as salas de espera desse mundão nosso ("velho, esse cara deve ter esperado um bocado" é o que você deve estar pensando... ah, a propósito dessa revista pavorosa, vai vendo: http://www.projetobr.com.br/web/blog/5#6304 ) e é realmente intrigante a capacidade dos caras de desencavar pérolas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os Sertões &lt;/span&gt;ou transformar linhas do Bobbio em frases de efeito para se safar nas votações pela cassação, entre tantas outras papagaiadas. Capacidade intrigante, mas não tão estranha - pelo menos a mim -, já que o que mais há no mundo jurídico é o festival das citações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, creio que seria de bom tom que todos nós - políticos, juristas, jornalistas, escritores, estudantes e toda sorte de (des)ocupados - tenhamos o mínimo de responsabilidade antes de sair por aí citando autores quando muitas vezes eles: a) não disseram a frase que atribuímos a eles; b) se disseram, não foi exatamente daquele jeito; ou  c)  se foram eles que disseram, e daquela exata maneira, provavelmente o contexto é que não tem nada a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nós tivéssemos esse cuidado, impediriamos que tantos caras do naipe de Shakespeare ("Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vã&lt;/span&gt; [??] filosofia"), Nietzsche (frases como "O Evangelho morreu na cruz" ou "O que não me mata me fortalece" seeempre perfeitamente contextualizadas) ou Fernando Pessoa ("Navegar é preciso, viver não é preciso") e Cnaeus Pompeius Magnus (que foi quem realmente disse o célebre "navigare necesse, vivere non  necesse" atribuído a Pessoa, muito embora tenha morrido uns bons mil e novecentos anos antes do escritor português nascer) façam par com aquele indivíduo desconhecido citado ironicamente por Nelson Rodrigues em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O óbvio ululante&lt;/span&gt;: "Tudo é memória, disse não sei quem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;§§§&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra da CBN: Comentário do Dimenstein. Para quem não sabe, ele fala na rádio sobre capital humano, educação e coisas afins. Acho muito bacana, embora dessa vez eu deva ressalvar o que, na minha opinião, é uma avaliação simplista. Ele contava sobre um projeto de lei aqui em São Paulo que institui uma premiação para professores e funcionários de escolas cujos alunos apresentassem bons índices (um plus no salário no fim do ano, se não me engano).  O  legal  dessa iniciativa, segundo ele - e aqui eu concordo - é que todos os responsáveis pelo colégio receberiam essa gratificação (desde o faxineiro até o diretor). Sim, é louvável. Só que daí o comentarista fecha com algo do tipo "assim, aqueles que se esforçam mais são recompensados e os que não se esforçam tanto deixam de ganhar um pouco mais" (faz um tempo que eu ouvi isso, espero não cometer o pecado da citação que eu criticava há pouco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francamente. Creio que não foi essa a idéia que ele realmente quis passar, mas isso está mais para papo de economia do que de política educacional. "Ah, você vê o esforço dos docentes e funcionários e compara com os resultados dos alunos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ceteris paribus&lt;/span&gt; e zaz". Quero dizer, eu penso que não adianta falar em desmotivação por parte daqueles que trabalham nas escolas paulistanas se de repente as contingências do meio não colaboram para que haja um aprendizado saudável ou mesmo condições de trabalho adequadas...miséria, descaso, criminalidade. Sem comentários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nota ao rodapé:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;1- Confesso que eu mesmo só fui confirmar que a frase não era de Fernando Pessoa nas aulas de latim na faculdade. Aliás, &lt;span&gt;citando (er...) certo franciscano jocoso: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ave Darci, morituri te salutant! &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Bons tempos de calouro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;2- "Mas que m... é essa de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ceteris paribus&lt;/span&gt;?" pergunta você. É isso aqui, respondo eu: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ceteris_paribus ... vinda diretamente das aulas de econometria com o livro do Mankiw, mas essa já não é uma das minhas melhores lembranças de calouro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-7866538658596635477?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/7866538658596635477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=7866538658596635477&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/7866538658596635477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/7866538658596635477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/03/com-o-ouvido-no-rdio.html' title='Com o ouvido no rádio'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-6185192319743002934</id><published>2008-02-01T22:20:00.001-03:00</published><updated>2008-07-26T11:59:38.161-03:00</updated><title type='text'>Tá bom, vamos falar de Budismo!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/R6PSEqH1m7I/AAAAAAAAACA/YZ0vwa5HyIs/s1600-h/maos_buda.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/R6PSEqH1m7I/AAAAAAAAACA/YZ0vwa5HyIs/s320/maos_buda.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162200575365192626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi o que eu exclamei quando me lembrei deste blog, que por sinal estava às moscas, no meio de uma discussão sobre o tema. Como ainda há muuuuito o que se estudar a respeito, vou voltar várias vezes a isso. Não deixa de ser um estudo de uma filosofia do mais alto refinamento, que é, aliás, um dos objetivos dessa página - discutir filosofia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, quem foi Siddatha Gotama, o Buda por excelência, e o que ele tem a nos dizer? Vamos fazer uma pequena viagem pelos textos do cânone para ter uma idéia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gotama nasceu como príncipe de um clã guerreiro do norte da Índia, os Shakyas. Viveu cercado de luxo durante toda a juventude, a tal ponto que, por volta dos 20 anos, nem se dera conta de que as pessoas sofrem, envelhecem e morrem... pasmem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, durante um passeio para além dos limites do palácio, viu um velho doente...depois, um cortejo fúnebre...aí ele começou a sacar que as coisas boas não duram para sempre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aliás, nada dura para sempre....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornando ao seu harém, abriu a porta e teve uma epifania...viu nas belas mulheres que lá estavam um monte de velhas decrépitas e moribundas XD ...estava caindo na real, como se diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeiras à parte, fato é que ele ficou realmente perturbado com as coisas...ficou inquieto, quis partir em busca de um sentido (esse mesmo impulso me moveu por um mar de idéias ao longo do último ano até chegar no Budismo), e foi isso mesmo que ele fez. Abandonou o palácio, a esposa Yasodara e o filho recém-nascido, Rahula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;"Antes do meu Despertar quando eu ainda era um Bodisatva não iluminado, eu pensei: 'A vida em família é confinada, um caminho empoeirado. A vida santa é como o ar livre. Não é fácil viver em casa e praticar a vida santa completamente perfeita, totalmente pura, como uma concha polida. E se eu raspasse o meu cabelo e barba, vestisse os mantos de cor ocre e seguisse a vida santa?' "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;No começo, ele se uniu às tradições ascetas da Índia...com um grupo desses ascetas viveu algum tempo, mortificando-se ao extremo, em busca de alguma purificação...coisas do tipo comer apenas um grão de arroz por dia, até chegar ao ponto de tocar o ventre e sentir a coluna...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;"Eu pensei: 'Todos os contemplativos ou brâmanes que no passado experimentaram sensações dolorosas, torturantes e penetrantes devido ao esforço, isto é o máximo, não existe nada além disso. Todos os contemplativos ou brâmanes que no futuro experimentarão sensações dolorosas, torturantes e penetrantes devido ao esforço, isto é o máximo, não existe nada além disso. E todos os contemplativos ou brâmanes que no presente experimentam sensações dolorosas, torturantes e penetrantes devido ao esforço, isto é o máximo, não existe nada além disso. Mas, através desta prática de austeridades atormentadoras eu não alcancei nenhum estado supra-humano,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;nenhuma distinção em conhecimento e visão digna dos nobres. Poderia haver um outro caminho para a iluminação?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;também viu que não era por aí....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;"Agora, tendo comido comida sólida e recuperado as minhas forças, afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades não hábeis eu entrei e permaneci no primeiro jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o êxtase e felicidade nascidos do afastamento. Mas essa sensação prazerosa que surgiu em mim não invadiu a minha mente e permaneceu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, ele descobriu o caminho do meio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="Normal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;“ Bhikkhus, há esses dois extremos aos quais aquele que abandonou a vida em família e seguiu a vida santa não deve se entregar. Quais dois? A busca da felicidade nos prazeres sensuais, que são baixos, vulgares, grosseiros, ignóbeis e que não trazem benefício; e a busca da mortificação, que é dolorosa, ignóbil e que não traz benefício. Evitando esses dois extremos o Tathagata despertou para o Caminho do Meio, que faz surgir a visão, que faz surgir a sabedoria, que conduz à paz, ao conhecimento direto, à iluminação, a Nibbana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="Normal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;“ E qual, bhikkhus, é o caminho do meio para o qual o Tathagata despertou, que faz surgir a visão ... que conduz a Nibbana? É este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta. Esse, bhikkhus, é o caminho do meio para o qual o Tathagata despertou, que faz surgir a visão, que faz surgir a sabedoria, que conduz à paz, ao conhecimento direto, à iluminação, a Nibbana."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="Normal"&gt;e as quatro nobres verdades:&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="Normal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;“Agora, bhikkhus, esta é a nobre verdade do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento, enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero são sofrimento; a união com aquilo que é desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco agregados influenciados pelo apego são sofrimento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="Normal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;“Agora, bhikkhus, esta é a nobre verdade da origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada existência,&lt;span&gt; &lt;/span&gt;acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por ser/existir, o desejo por não ser/existir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="Normal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;“Agora, bhikkhus, esta é a nobre verdade da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar vestígios daquele mesmo desejo, abrir mão, descartar, libertar-se, despegar desse mesmo desejo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="Normal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;“Agora, bhikkhus, esta é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta."&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="Normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;continua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas ao rodapé:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1- &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Já deu pra perceber que é difícil tratar desse tema no mesmo estilo mais formal que eu gosto...é algo ao mesmo tempo muito e pouco racional...complicado de definir mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2-   &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Imagem:   http://cadernos-da-belgica.blogspot.com/2007/06/buda-detalhe.html&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-6185192319743002934?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/6185192319743002934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=6185192319743002934&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/6185192319743002934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/6185192319743002934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2008/02/t-bom-vamos-falar-de-budismo.html' title='Tá bom, vamos falar de Budismo!'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/R6PSEqH1m7I/AAAAAAAAACA/YZ0vwa5HyIs/s72-c/maos_buda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-9207228072609785401</id><published>2007-11-26T23:45:00.001-03:00</published><updated>2008-07-26T12:00:19.704-03:00</updated><title type='text'>Labirinto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/R0uGSxz8i9I/AAAAAAAAAB4/6nT03AAGfOA/s1600-h/sampa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/R0uGSxz8i9I/AAAAAAAAAB4/6nT03AAGfOA/s320/sampa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137347457113164754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O jovem acorda no meio da noite. Outra noite mal dormida, como há tempos. Desde a infância, na verdade. Enfim, ele se levanta, caminha alguns metros e abre a geladeira. A água gelada lhe percorre a garganta, oxigena seu cérebro e assim ele se sente desperto. Mais uns passos e contempla a cidade que dorme (ou não), apoiado contra a rede de proteção da janela – é sonâmbulo, então desde que se mudara para aquele “apertamento” no décimo primeiro andar, não consentiu em lá viver sem proteção nas janelas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O grande relógio eletrônico que reina sobre os prédios marca 03h25m. Por mais que ele esteja acostumado às noites em claro, está preocupado, pois tem que acordar cedo para trabalhar. Antes era pior. Chegou a virar quase três noites seguidas sem fechar os olhos. Mas isso era no começo. Agora está mais acostumado com o ritmo estranho de vida na Grande Cidade, sem falar nas obrigações que agora se impunham. Ele sempre teve essa mania de querer fazer mil coisas ao mesmo tempo. Quase sempre, acabava não fazendo nenhuma delas: faltava-lhe foco, porque tudo o empolgava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pensa nos amigos. Nos poucos bons amigos que tomaram outros rumos e nos poucos bons amigos que fizera. Amigo bom permanece, não fisicamente, mas na certeza. Por isso sabia que eram bons, e que permaneciam. São caracteres concomitantes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na família, há de se confessar, pensa com mais naturalidade. É uma presença constante ainda, apesar da distância, pois com esta ele não perde o contato. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Também passou a encarar questões de sentimento como naturais. Se não for assim, não vale a pena.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A vida é uma coisa muito estranha. Muito dessa lição ele aprendeu nesses novos horizontes de pedra em que habitava, ora maiores que os de outrora, ora menores.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E ele gosta muito disso. Na íntegra. Talvez seja sinal de que a lição está sendo aprendida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E lá se vão três anos na Urbe Paulopolitana. E que esses três anos se multipliquem por vinte, pelo menos, ó jovem!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;Nota ao rodapé:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;1- Imagem: http://www.braziltour.com/site/br/tour_produtos/lista_cidades.php?id_tour&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-9207228072609785401?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/9207228072609785401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=9207228072609785401&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/9207228072609785401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/9207228072609785401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/11/labirinto.html' title='Labirinto'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/R0uGSxz8i9I/AAAAAAAAAB4/6nT03AAGfOA/s72-c/sampa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-5848956004369827611</id><published>2007-09-02T12:57:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:35:39.408-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Imortal</title><content type='html'>Sêneca deve ter mandado sua paciência estóica pras cucuias a essas alturas. Faz tempo que eu estou dizendo que ia escrever a seu respeito e nada. Não bateu a inspiração ainda, mas uma hora qualquer vai sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também disse que ia me manifestar sobre os últimos acontecimentos na Faculdade de Direito da USP. Algumas pessoas têm me cobrado um texto (principalmente o Pombo). A essas pessoas, peço calma. Estou levantando informações. Mas, como dizem, temos que escrever quando vem a inspiração, caso contrário ela passa sem ser aproveitada. Hoje é mais uma viagem no (ou sobre) o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira apresentei, junto com alguns colegas, um seminário sobre Hannah Arendt. Não gosto muito dela. Na verdade, todos esses pensadores que tentam imprimir um esquema muito lógico à História estão fantasiando. Mas é óbvio que algumas coisas que ela diz são interessantes ou, pelo menos, conseguem me remeter a outras coisas instigantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Arendt, assim como para Jaeger, a grande perturbação do primeiro pensamento grego foi a questão de superar a mortalidade humana através da memória, enquanto conservação e transmissão da futilidade das ações do homem, que tendem a evanescer. A natureza não precisa da memória, pois não distinguimos nela o individual. Só há o coletivo, que brota e se torna perpétuo com a reprodução. Tanto faz ver uma floresta hoje ou daqui cem anos: se a natureza segue seu rumo normal, será uma e mesma coisa, por sua característica de “Ser-para-sempre”. Tudo o que vem a ser, brota e existe é natureza para os gregos (essa é a acepção de Physis, cuja investigação levou aos filósofos Físicos, aqueles preocupados justamente com a cosmogonia e o princípio das coisas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Eternidade... Bom, a Eternidade consiste exatamente naquilo que está fora do tempo. Nós percebemos o tempo por este estar atrelado à mudança e ao movimento. Toda ordem tende ao Caos, de modo que o fluxo que leva à desorganização (no caso das coisas perecíveis) e à conclusão de mais um ciclo (quanto às coisas imortais), quando medidas, acusam a passagem do tempo. Parmênides e Zenão perceberam de forma bastante acurada a dicotomia Tempo-Espaço, e como o caminho da opinião equivocada pode levar ao absurdo a esse respeito. Tudo que é subjacente a tal movimento é o Eterno. Aquilo que não surgiu nem vai acabar, justamente por estar fora do tempo (para este parágrafo, remeto ao post “Matando o Tempo”, infra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105637326075128258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RtreGOSu6cI/AAAAAAAAABw/BgP_TndI0_E/s320/diagrama.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças à relação entre movimento e passagem do tempo que se pode traçar um diagrama como esse proposto pela Hannah Arendt (aqui, toscamente desenhado), no qual a linha negra é a imortalidade, as linhas vermelhas são os mortais e, acrescento, o fundo azul claro imóvel é a Eternidade. Essa representação não é tão original como possa parecer. Afinal, o que é um relógio de ponteiro senão a tradução do tempo em movimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao problema propriamente humano, devo confessar que a partir do momento em que comecei a tentar enxergar a questão da imortalidade sob o ponto de vista grego, fiquei mais tranqüilo. De fato, já que não se pode ter certeza sobre o além-túmulo a ponto de ter uma expectativa otimista (nesse ponto os gregos não chegam ao mesmo patamar do Budismo Theravada, que nega qualquer Metafísica... taí um ótimo tema para um post futuro...), mais sábio é fazer as coisas acontecerem por aqui mesmo. “Fazer sua a beleza”, como diria Aristóteles. Pois os grandes feitos, esses são evidentes por si e levam seu autor, de uma forma ou de outra, à imortalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imortalidade da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota ao Rodapé: &lt;/strong&gt;Livros a que faço referência: &lt;em&gt;Entre o Passado e o Futuro&lt;/em&gt; (Hannah Arendt); &lt;em&gt;Paidéia&lt;/em&gt; (Werner Jaeger).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-5848956004369827611?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/5848956004369827611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=5848956004369827611&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5848956004369827611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5848956004369827611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/09/imortal.html' title='Imortal'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RtreGOSu6cI/AAAAAAAAABw/BgP_TndI0_E/s72-c/diagrama.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-4664165656813274456</id><published>2007-08-22T00:45:00.000-03:00</published><updated>2008-03-04T22:28:26.312-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Ziggurath</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RsusHuSu6bI/AAAAAAAAABo/Jn7q1Zh_ORM/s1600-h/Confusion_of_Tongues.png"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RsusHuSu6bI/AAAAAAAAABo/Jn7q1Zh_ORM/s320/Confusion_of_Tongues.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101360251612883378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A narrativa está em Gênesis, 11. Diante da audácia humana, que pretendeu alcançar os céus por meio de uma torre, Elohim não só pôs abaixo a construção como confundiu as línguas dos habitantes da cidade - Babilônia -, a fim de que eles não conseguissem mais se entender e unir esforços para desafiá-Lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A torre de Babel é uma fábula. Alguém poderia dizer que é muito simples interpretar essa estória, já que Babilônia era uma metrópole e, como as metrópoles de hoje, reunia pessoas das mais diversas origens, falantes de idiomas diversos. Bastou isso para que o escriba bíblico  condenasse,  de  forma poética, os zigurates construídos em honra dos deuses dos ímpios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Etimologicamente, Babel vem de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bab'ilu&lt;/span&gt; - "o portal do deus". A transliteração hebraica resultou em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bavél&lt;/span&gt;, que por sua vez é uma paranomásia (espécie de trocadilho), envolvendo a raiz hebraica para o verbo "confundir".&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rsuo8eSu6aI/AAAAAAAAABg/wJJ4_h2I-f0/s1600-h/babel.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 247px; height: 330px;" src="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rsuo8eSu6aI/AAAAAAAAABg/wJJ4_h2I-f0/s320/babel.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101356759804471714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu diria que D's foi demasiado cauteloso, pois não carecia confundir as línguas para que os homens não se entendessem. A incompreensão é algo que está conosco desde sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que me motiva a dizer isso é constatar que pouco importa o que façamos, o mundo vai continuar a mesma porcaria. As pessoas continuam pensando apenas em si. Agem como se suas ações só dissessem respeito a si mesmas e simplesmente desconsideram o outro (sem imaginar que um dia ele pode se mostrar o Outro - aquele que se voltará contra elas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como disse uma amiga minha, com quem conversava sobre minhas angústias: "As pessoas esperam tolerância e compreensão das outras, mas elas mesmas não são tolerantes nem compreensivas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu esteja levando a sério demais algo que eu mesmo considero imutável. O fato de estar incrédulo em relação à maior parte das pessoas me fez perder a paciência com gente. Isso me fez ser ríspido, impaciente e amargo com as pessoas. Não todas as pessoas. Mas, ainda assim, a maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo que eu quero é reerguer a minha torre. Mas apertar a tecla SAP também serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas ao rodapé&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1- &lt;/span&gt;Imagem n°1: Gustave Doré- "Confusão das Línguas"&lt;br /&gt;                                                  Imagem n°2: The Brick Testament http://www.thebricktestament.com/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-4664165656813274456?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/4664165656813274456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=4664165656813274456&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4664165656813274456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/4664165656813274456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/08/ziggurath.html' title='Ziggurath'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RsusHuSu6bI/AAAAAAAAABo/Jn7q1Zh_ORM/s72-c/Confusion_of_Tongues.png' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-1009218360275341572</id><published>2007-07-08T23:30:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:37:27.318-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Babel de pedra e aço'/><title type='text'>Geopolítica do tráfico</title><content type='html'>Eu estava preparando um texto sobre Sêneca para esta semana. Mas aí vi uma matéria em algum telejornal por aí que me chamou a atenção. Resolvi escrever sobre o que vi. Sêneca, semana que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria a que me refiro tratava de um livro didático que estaria causando polêmica entre educadores e autoridades. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Geografia: sociedade e cotidiano&lt;/span&gt;, de &lt;span&gt;&lt;span class="txtNota"&gt;Dadá Martins, Francisco Bigotto e Márcio Vitelo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, traz dados sobre o espaço habitado pelo homem, como qualquer livro de geografia comum. Deve ser uma obra de qualidade, no mínimo,  razoável, já que foi aprovado pelo MEC para uso pelos alunos de Ensino Fundamental da rede pública. No entanto, uma das informações oferecidas pela obra irritou setores determinados da cidade do Rio de Janeiro: um mapa da cidade dividido em zonas de influência das diversas organizações criminosas. Na mesma página, foto de uma ocupação policial no Complexo do Alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vozes rapidamente se levantaram: César Maia, prefeito do Rio, obviamente preocupado com a imagem de sua cidade, tachou o livro de "panfleto", claramente insinuando que a motivação por trás do livro era muito mais ideológica do que pedagógica. Até aí, nenhuma novidade. No meu modo de ver, estamos sendo bombardeados por ideologia - seja ela qual for - a todo momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professores escolares e pedagogos também contribuíram com a polêmica, ao declarar que o material é potencialmente nocivo aos estudantes, podendo significar uma influência negativa, até mesmo os impelindo a juntar-se aos criminosos (!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas questões interessantes isso evoca! Minhas opiniões a respeito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Não é um livro de geografia? Geografia não seria a "descrição da Terra"? O subtítulo não se refere a cotidiano e sociedade? Ora, a questão do tráfico &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É&lt;/span&gt; uma realidade efetiva na nossa sociedade e cotidiano. Um esforço consciente para poupar os estudantes disso seria, a meu ver, um ato de alienação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Dizer que o livro influenciaria negativamente os jovens, podendo levá-los a simpatizar com o tráfico e, eventualmente, entrar para seus quadros, é um reducionismo grosseiro. Se um mero livro didático tivesse tal efeito, seria simplesmente por catalisar uma série de fatores que já existem na materialidade do mundo.  Vale dizer,  a parcela da juventude exposta à criminalidade provavelmente já perdeu sua inocência há algum tempo, estando imersa em um ambiente em que é evidente a participação das organizações criminosas na dinâmica social. Ele não estaria refletindo sobre a leitura de um livro de geografia, como se fosse um observador externo a essa situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Muito desse pudor em mostrar as coisas como são vem, a meu ver, de uma filosofia do Politicamente Correto que se instalou de forma patológica, quase, desde que o pensamento democrático se reinstalou nesse país. Aqui, opiniões de Direita são demonizadas (qual é a minha posição política é estória pra outro dia), o eufemismo é a figura de linguagem preferida (não há pobres, há economicamente prejudicados). Essa coisa de o brasileiro ser irreverente é, sinceramente, balela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Só para não me prolongar muito, um último ponto. Há que se reconhecer a diversidade de ordens dentro da sociedade. É óbvio que ela existe e os diversos movimentos no seu seio eventualmente conflitam. A normatividade não é uma só. Veja a Idade Média, por exemplo. Essa coisa de Estado onipotente e único editor das normas é uma concepção muito bem arquitetada pela ideologia do Estado Moderno e que, segundo Bobbio, culminou em Hegel e sua noção do Estado como deus terreno e sujeito último da História. Há um pluralismo jurídico que se manifesta nas lacunas deixadas pela atuação estatal. Onde o Estado não se impõe, aí brotará, de alguma forma, uma ordem. Há que se deixar o plano das idéias e ver os fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso que tentei expor brevemente aqui, eu simplesmente não consigo concordar com todo o escândalo feito em torno desse livro. É a realidade. E ela é gritante, não basta queimar um livro didático para ocultá-la e prosseguir na aparente normalidade até que aconteça outro ato de violência para agitar a opinião pública e ser em seguida esquecido. Não sei se consegui me fazer entender, talvez seja tudo meio óbvio, mas é o que penso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-1009218360275341572?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/1009218360275341572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=1009218360275341572&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1009218360275341572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1009218360275341572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/07/eu-estava-preparando-um-texto-sobre.html' title='Geopolítica do tráfico'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-3345231035886729523</id><published>2007-07-01T18:59:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:35:39.408-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Por que o sapo não lava o pé? Um problema filosófico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://imgs.sapo.pt/gfx/405631.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px;" src="http://imgs.sapo.pt/gfx/405631.gif" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Saudações a todos!&lt;br /&gt;Enquanto eu sigo pensando em algo mais sério pra postar semana que vem, reproduzirei aqui uma piada meio velha, mas que ainda acho legal. É uma paródia aos filósofos, que recebi por e-mail faz um tempo já.&lt;br /&gt;Com vocês, a explicação dos diversos pensadores para a questão: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Por que o sapo não lava o pé?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Marx&lt;/strong&gt;: A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Engels&lt;/strong&gt;: isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foucault&lt;/strong&gt;: Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé – bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas – domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível – é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Weber&lt;/strong&gt;: A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lava o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo – a vida na lagoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nietzsche&lt;/strong&gt;: Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação - herança de povos mediterrâneos, certamente - uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida – e difícil – fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Filmer&lt;/strong&gt;: Podemos ver que, desde a época de Adão, os sapos têm lavado os pés. Aliás, os seres, em geral, têm lavado os pés à beira da lagoa. Sendo o sapo um descendente do sapo ancestral, é legítimo, obrigatório e salutar que ele lave seus pés todos os dias à beira do lago ou lagoa. Caso contrário, estará incorrendo duplamente em pecado e infração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Locke&lt;/strong&gt;: Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kant&lt;/strong&gt;: O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.&lt;br /&gt;Nota de Freud: Kant jamais lavou seus pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Freud&lt;/strong&gt;: Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jung&lt;/strong&gt;: O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kierkegaard&lt;/strong&gt;: O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hegel&lt;/strong&gt;: podemos observar na lavagem do pé a manifestação da Dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo – em relação à higiene – para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comte&lt;/strong&gt;: O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Schopenhauer&lt;/strong&gt;: O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou "véu de Maya". A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de Coisa-em si, e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: "O mundo como vontade e representação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aristóteles&lt;/strong&gt;. O [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte . Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Platão&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!&lt;br /&gt;Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?&lt;br /&gt;Górgias: Sou forçado a admitir que sim.&lt;br /&gt;Sócrates: Pois bem, e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?&lt;br /&gt;Górgias: Sim, tu estás novamente correto.&lt;br /&gt;Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza,ó Górgias?&lt;br /&gt;Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.&lt;br /&gt;Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem e uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.&lt;br /&gt;Górgias: É verdade.&lt;br /&gt;Sócrates: precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?&lt;br /&gt;Górgias: não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!&lt;br /&gt;Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água&lt;br /&gt;Górgias: de acordo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diógenes, o Cínico&lt;/strong&gt;: Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Parmênides de Eléia&lt;/strong&gt;: Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Heráclito de Éfeso&lt;/strong&gt;: Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na  lavagem, devido à impermanência das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Epicuro&lt;/strong&gt;: O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância. O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estóicos&lt;/strong&gt;: O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Descartes&lt;/strong&gt;: nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a autoconservação, como um relógio precisa de corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Maquiavel&lt;/strong&gt;: A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Rousseau&lt;/strong&gt;: Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Horkheimer e Adorno&lt;/strong&gt;: A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gramsci&lt;/strong&gt;: O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições - representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis– serão criadas possibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob a direção das classes anteriormente subordinadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bobbio&lt;/strong&gt;: existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas ao rodapé: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;1- Crédito ao Paulo Victor, que foi quem me mandou o e-mail. Desconheço a autoria do texto, mas de qualquer forma achei hilário;&lt;br /&gt;2- Registre-se uma sonora risada ao "gosto anfíbio pela dissimulação"...e viva o "além-do-sapo"! E outra à mensagem de Freud a Kant. O "não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!" de Górgias também foi grotesco;&lt;br /&gt;3- Registre-se também que eu achei meio injusta a parte do Engels....eu tentaria fazer algo sobre os estágios da coletividade dos sapos...sociedade patriarcal e por aí vai...mas eu estou sem imaginação agora;&lt;br /&gt;4- Se tem uma coisa que aprendi por conta própria na Sanfran foi a abominar o uso errado do "posto que", mas tá valendo...&lt;br /&gt;5- Parmênides vive...só pra não perder o costume.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-3345231035886729523?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/3345231035886729523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=3345231035886729523&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3345231035886729523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3345231035886729523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/07/por-que-o-sapo-no-lava-o-p-um-problema.html' title='Por que o sapo não lava o pé? Um problema filosófico'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-9144812900840913409</id><published>2007-06-24T18:22:00.001-03:00</published><updated>2008-05-03T21:54:23.513-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Loucos de Todo Gênero</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Faz algum tempo, mas ainda me lembro vagamente de uma matéria na TV em que o repórter visitou um manicômio. Lá pelas tantas, ele resolveu interpelar um doidinho que conversava com uma árvore:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Você está conversando com a árvore??&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Não tem medo de acharem que você é louco?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;E o jovem respondeu brilhantemente, em tom de confissão:&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;- Eu seria louco – sussurrou –, se a árvore não me respondesse!&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Afinal, o que é ser louco? É algo objetivamente determinável ou é apenas conseqüência de vivermos num mundo em que o desvio é, via de regra, sinal de aberração? Ao contrário do que possa parecer, essa não é uma pergunta que só começou a ser feita no século XX, saindo da boca de gente como Michel Foucault ou Nise da Silveira. Já a Inquisição tinha problemas ao julgar a alegação de que o problema do acusado se devia a uma enfermidade mental,&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt; e não à heresia ou a um caso de possessão demoníaca. Pitoresco.&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Mas o fato é que, no caso da Inquisição e, mais tarde também no Direito Civil (que muito foi influenciado pelo Direito Canônico) a insanidade mental isentava o réu de responsabilidade: claro, se ele não sabe o que faz, não pode responder por seus atos. Mas se a definição da demência era difícil após séculos de experiência dos inquisidores, não é de espantar que nossos juristas tenham se poupado do trabalho de criterizar a condição do doente mental, preferindo eles lançar mão da duvidosa expressão "loucos de todo gênero", o que e&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;ra, além de politicamente incorreto, um problema. Às vezes fico pensando como seria um louco e&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;m&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt; dúvida se essa expressão abarcaria ou não o ca&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;so dele...&lt;/o:p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/38/Vincent_Willem_van_Gogh_002.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; width: 320px; cursor: pointer;" alt="" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/38/Vincent_Willem_van_Gogh_002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Se ser louco de fato é uma doença (aqui entendida como algo ruim), e&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;ntão por qu&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;e tantas vezes testemunhamos a loucura caminhar abraçada com a genialidade de gente como Van Gogh (au&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;tor da pintura ao lado) ou Nietzsche?&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Aliás, o próprio Nietzsche foi acometido de uma loucura, digamos, coerente c&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;om su&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;a postura de vida. Conta-se que, ao sair à rua certo dia, viu um cocheiro bater com a chibata no lombo do cavalo. Teve então uma epifania (deve haver um termo melhor, mas sinceramente desconheço), afugentou o cocheiro e abraçou o animal aos prantos. Após dez anos na mais plácida alienação (diz-se inclusive que esquecera o italiano, língua que dominava bem em ra&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;zão de ter vivido na Itália por anos!), nosso piloso filósofo teria, conforme reza a lenda, proferido no leito de morte um enigmático "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mehr Licht&lt;/span&gt;" ("mais luz", em alemão, sua língua materna), significando&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt; para alguns - os mais empolgados, ávidos de uma interpretação por trás das singelas palavras - algum tipo de mensagem do pensador para que as pessoas tentassem se tornar mais esclarecidas; enquanto que, para outros, ele es&lt;/o:p&gt;&lt;o:p&gt;tava meramente pedindo para que abrissem as cortinas do quarto onde ele agonizava.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Não por acaso, o mesmo Nietzsche acabou por auxiliar, mesmo que a contragosto, no embasamento teórico, se é que assim se pode dizer, de uma loucura em nível nacional: o também alemão &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nazionalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, &lt;/span&gt;ou Partido Nazista, para os mais afeitos, que muito deveu à deturpação de idéias nietzscheanas (se tal adjetivo não existe, registre-se o nascimento de uma palavra) tais como a noção de super-homem ou o controverso anti-semitismo que, até agora, eu não sei se ele compartilhava com seu não menos estranho amigo dos primeiros tempos, o compositor Richard Wagner.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;De qualquer modo, acho que mais nociva que a loucura é a própria "normalidade". É difícil definir uma pessoa normal. À pergunta "Quem você acredita ser um exemplo de pessoa normal?" dificilmente acreditaria se a maior parte das pessoas dissesse: "eu mesmo". E caso assim fosse, eu certamente ficaria mais interessado em conhecer a parcela minoritária. Preocupar-se com as opiniões e o padrão de comportamento imposto - seja ele qual for, até porque dizer que é doido também já virou moda - não deixa de ser uma coisa meio anormal. Paradoxal. Mas eu não consigo deixar de pensar assim. Comecei o texto com uma anedota, e talvez seja bom fechá-lo com outra, de modo que eu possa exemplificar a conclusão a que quero chegar, após falar brevemente de alguns conceitos e definições da loucura. Um amigo meu (cujo nome não revelarei por razões óbvias: 1) ele falava de problemas pessoais e 2) muitos dos meus amigos acertadamente se julgam ensandecidos) desabafava sobre um caso que o afligia há algum tempo e estava o deixando, de certo modo, transtornado. Ele costumava falar sobre isso comigo porque eu já havia passado por situação parecida.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Ah, Léo, será que eu estou ficando louco?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- Sinceramente, acho que quem nunca duvidou seriamente de sua própria sanidade mental dificilmente teve uma existência digna e plena de significado, que mereça realmente ser chamada de vida.&lt;/p&gt;A frase foi muito espontânea. Mas parei pra pensar a respeito. E percebi que, louco ou não, eu deveria estar certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, cada louco vive a sua realidade.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Notas ao rodapé: &lt;/span&gt;Sobre Nise da Silveira: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nise_da_Silveira Na mesma página se encontra a figura que ilustra o post (o quadro de Vincent van Gogh).&lt;/p&gt;ERREI: A frase "mehr Licht" foram as derradeiras palavras de Goethe, não de Nietzsche. Não corrigi no texto mesmo para não estragar sua estrutura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-9144812900840913409?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/9144812900840913409/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=9144812900840913409&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/9144812900840913409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/9144812900840913409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/06/loucos-de-todo-gnero.html' title='Loucos de Todo Gênero'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-5323881821808799987</id><published>2007-06-07T23:01:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:35:39.409-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Matando o tempo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rmi5vo1qOMI/AAAAAAAAAA0/f_et5jjoWfY/s1600-h/200px-Hourglass_drawing.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073509208300337346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rmi5vo1qOMI/AAAAAAAAAA0/f_et5jjoWfY/s320/200px-Hourglass_drawing.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estava faltando inspiração nos últimos dias. A combinação da rotina pouco emocionante dos últimos meses com a pressão das obrigações (que sempre vêm todas ao mesmo tempo) é sempre explosiva, resultando num hiato criativo...ou uma pasmaceira intelectual...ou uma calmaria no mar das idéias...(talvez a quantidade de denominações seja a minha criatividade voltando, vamos ver). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O fato é que eu não estava tendo tempo pra fazer nada além do que exigiam minhas obrigações (acadêmicas, em sua maior parte). Vontade enorme de alargar o tempo para que tudo que eu tinha de fazer coubesse na semana. O feriado veio em boa hora...pra conseguir pôr tudo em dia! Por outro lado, estou ansioso por conta de assuntos pessoais e profissionais que quero ver logo definidos. E esse tipo de coisa deixa a gente com vontade de fazer o tempo passar rapidamente. Contraditório. Da escuridão fez-se a luz, afinal. Se o tempo é meu algoz, sobre ele escreverei. A inspiração veio enquanto assistia a uma aula, pra variar. Ouvia, mais por osmose do que por uma vontade consciente de compreensão, o professor falar sobre o preceito aristotélico de que não há criação ex nihil. Explico: os gregos não admitiam a possibilidade de se extrair algo a partir do nada. Se antes não havia nada, eles pensavam, como daí pode surgir alguma coisa? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Essa idéia, creio eu, remonta a Hesíodo, que, como eu disse num post por aí lançou a idéia de causalidade entre os gregos, ou seja, a noção de que cada fenômeno tem sua origem em outro anterior. Tudo isso, em res&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rmi58Y1qONI/AAAAAAAAAA8/38Rx8qQpjjU/s1600-h/200px-Parmenides.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073509427343669458" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rmi58Y1qONI/AAAAAAAAAA8/38Rx8qQpjjU/s320/200px-Parmenides.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;umo, porque ele escreveu um poema falando sobre as várias gerações dos deuses e a formação do mundo a partir do Caos. Algum tempo mais tarde, os seguidores de certo Parmênides de Eléia (foto ao lado) demonstraram que a mudança e o movimento não podem ser explicados logicamente. Conseqüentemente, não se poderia sustentar uma tese com base em algo que se engendra a partir do zero (a história toda é um pouco mais complicada, tive que pular umas etapas do pensamento pra falar dele, mas outro dia eu volto a falar a respeito com mais calma). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Se as coisas sempre provêm de outras coisas, como fica em relação à primeira de todas as coisas, o princípio a partir do qual todo o resto surgiu? De onde ele veio? Surgiu do nada? Claro que não. Conseqüência? Só existe a eternidade. A percepção da dinâmica do universo deve ser cíclica, não linear, como costuma ser: não há um início ou um fim, apenas o eterno movimento (alguém dirá que, aqui, eu estou misturando Parmênides com Heráclito – a quem ele se opunha filosoficamente – mas, como também pretendo falar um dia, eles são muito mais harmônicos entre si do que parece). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas há o outro lado também. Aquele das religiões monoteístas; a visão segundo a qual o universo foi criado do nada. O defensor mais consciente dessa idéia, ao que me parece, é um pensador judeu medieval chamado Moshé ben Maymon – ou Maimônides, o Rambam. Sua interpretação da Torá, conhecida como &lt;em&gt;Guia dos Perplexos&lt;/em&gt;, dialoga com Santo Agostinho e é possível de se harmonizar com os postulados da ciência moderna. Vamos ao argumento, antes que eu me empolgue e esqueça o assunto: À crítica de que um universo inteiro ser criado do zero é uma proposição ilógica, vez que o que compõe esse mundão de Deus deve ter tido origem em algo que havia antes; o Rambam responde, muito inteligentemente, que o universo não foi criado num momento determinado no tempo pelo simples motivo de que o próprio tempo surgiu com a criação. Genial. Antes não havia processo. Não havia causalidade, afinal não havia fenômenos para originarem outros fenômenos. O tempo nada mais é do que a consequência natural de as coisas estarem regidas pela lei da causalidade, obedecendo a uma ordem de sucessão. Em sentido psicológico, é a forma como percebemos esse fluxo dos acontecimentos naturais. Antes da criação (se é que se pode falar de algum momento antes da criação, nesse raciocínio), só se pode falar em tempo como algo imaginário, psicológico. Não havia espaço também – ao se formar o universo, o espaço surge a partir do referencial entre suas partes, ao mesmo tempo em que o tamanho total do universo permanece o mesmo: nenhum, já que fora do universo não há referencial para definir seu espaço. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parecendo Parmênides de novo? É, eu sei. Tive até uma iluminação agora escrevendo isso (daquelas iluminações que só Parmênides proporciona): se o universo não tem tamanho, não se expandiu! O tal ponto ínfimo onde se concentrava toda a energia e matéria logo “antes” do &lt;em&gt;Big Bang&lt;/em&gt; teria se diferenciado dentro dele mesmo, e esse espaço sideral enorme que a gente vê aí, mensurável apenas em anos-luz, fica fácil de entender quando se leva em conta os argumentos contra o movimento elaborados por Zenão, discípulo de Parmênides (você se lembra dos tais argumentos? A historinha de Aquiles e a tartaruga... Refresque sua memória na nota de rodapé no fim do texto), que postulam, entre outras coisas, a possibilidade de se dividir o espaço em infinitas partes. Em suma: incrível como no fim tantos argumentos a favor de visões distintas se tocam e se complementam. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao Maimônides. Eu disse antes que suas idéias não contradizem o atual estágio do desenvolvimento científico. Pensamento assim sólido não poderá, obviamente, ser derrubado facilmente. Quer ver? Então veja: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;1- Antes do &lt;em&gt;Big Bang&lt;/em&gt;, a matéria do universo estava concentrada no ponto único, dito&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rmi6QY1qOOI/AAAAAAAAABE/gYoriOrK2ss/s1600-h/einstein.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5073509770941053154" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rmi6QY1qOOI/AAAAAAAAABE/gYoriOrK2ss/s320/einstein.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; singularidade, cujo volume era zero (tive um &lt;em&gt;déjà vu&lt;/em&gt;...nada a ver dizer isso, mas achei interessante). Quebrei o raciocínio. VOLTANDO: Se o volume era zero, a densidade era infinita (d= m/v), logo é perfeitamente compreensível a singularidade dar origem a tudo que está aí (eu, você, Júpiter, computador, cachorro, vácuo, Antares, China – com todo mundo que está lá dentro, inclusive – , cometa Halley, papagaio e por aí vai...). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;2- Minha avó já dizia (e Einstein também): em tal condição limite, a variável tempo deve ser tratada como um número imaginário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou parar por aqui. Estou começando a me achar engraçado, e daí a falar bobagem não carece muito tempo. Não cheguei a nenhuma conclusão, como de costume. Mero experimentalismo. Nada mais que livre associação. Mas estou feliz: foi bom pra passar o tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas ao rodapé:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1- O argumento de Aquiles e a Tartaruga: &lt;a href="http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/cantor/aquilestartaruga.htm"&gt;http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/seminario/cantor/aquilestartaruga.htm&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;2- &lt;a href="http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?" start="1" cmm="'16196284&amp;tid="&gt;http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?&lt;/a&gt; Tópico da comunidade “Maimonides” no orkut. Boa parte da inspiração veio daí.&lt;br /&gt;3- Sobre Parmênides: &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ParmÃªnides"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/ParmÃªnides&lt;/a&gt; . &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;4- A passagem do tempo e a segunda lei da termodinâmica (?) MUITO INTERESSANTE: &lt;a href="http://www.fisicabrasil.hpg.ig.com.br/tempo_entropia.html"&gt;http://www.fisicabrasil.hpg.ig.com.br/tempo_entropia.html&lt;/a&gt; .&lt;br /&gt;5- Imagens &lt;em&gt;ex&lt;/em&gt;: &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tempo"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Tempo&lt;/a&gt; ; &lt;a href="http://www.educ.fc.ul.pt/"&gt;http://www.educ.fc.ul.pt/&lt;/a&gt; ; &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/ParmÃªnides"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/ParmÃªnides&lt;/a&gt; . Irônico saber que o Einstein mostrou a língua achando que os paparazzi da época deixariam de persegui-lo. Virou sua foto mais conhecida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6- Não, eu ainda sou agnóstico.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-5323881821808799987?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/5323881821808799987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=5323881821808799987&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5323881821808799987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5323881821808799987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/06/matando-o-tempo.html' title='Matando o tempo'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rmi5vo1qOMI/AAAAAAAAAA0/f_et5jjoWfY/s72-c/200px-Hourglass_drawing.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-158836001878164402</id><published>2007-06-03T19:13:00.000-03:00</published><updated>2008-03-04T22:28:26.312-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Sem inspiração para escrever?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você fala, fala e não diz nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre com a sensação de que há algo a ser dito, mas você nunca sabe o que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, assim como eu, está tendo um hiato criativo. É isso que a rotina e a previsibilidade fazem com você! Quando a pasmaceira intelectual acabar, escrevo mais a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Se alguém aí quiser me ajudar a sair da rotina e da previsibilidade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-158836001878164402?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/158836001878164402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=158836001878164402&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/158836001878164402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/158836001878164402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/06/sem-inspirao-para-escrever-voc-fala.html' title=''/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-1387843109829919998</id><published>2007-04-17T23:46:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:35:39.409-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>O diálogo dos sofistas modernos</title><content type='html'>Uma aula chata de direito penal serviu de mote pra que eu começasse a discutir valores e moral com um colega...eis a brilhante conclusão a que chegamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo: É...parece que nós estamos ficando mesmo cada vez mais relativistas, Paolo...&lt;br /&gt;Paulo Victor: Ah, Lío...depende...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-1387843109829919998?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/1387843109829919998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=1387843109829919998&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1387843109829919998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/1387843109829919998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/04/o-dilogo-dos-sofistas-modernos.html' title='O diálogo dos sofistas modernos'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-816552406585797017</id><published>2007-04-13T00:55:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:35:39.410-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>"É a vida..."   ?!?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rh8AVKwsCkI/AAAAAAAAAAk/zNG37TKW0Zs/s1600-h/bauhaus.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052757670598806082" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rh8AVKwsCkI/AAAAAAAAAAk/zNG37TKW0Zs/s320/bauhaus.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoas são muito complicadas. Pensam no que os outros vão pensar a respeito de suas atitudes, ficam tentando demonstrar a todos que estão sempre certas, além de se pautar em termos de passado e futuro, o que é um absurdo se pararmos para pensar que nem um nem outro existem na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, muitas vezes vão deixar de fazer o que querem e tentar impor sua visão ao outro. Tentam manter uma pose, mas é impossível desempenhar um papel por muito tempo. Invariavelmente acabam (se) decepcionando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso aí. Como já nos ensinavam os Antigos, o Outro se voltará contra nós, caso não O aceitemos.&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rh8FrKwsClI/AAAAAAAAAAs/CQXEgPdbUnQ/s1600-h/dionysus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5052763546114067026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 306px" height="306" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rh8FrKwsClI/AAAAAAAAAAs/CQXEgPdbUnQ/s320/dionysus.jpg" width="202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E depois disso tudo, ainda vai ter alguém para olhar e suspirar: “É a vida...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida? A vida não é coisa alguma. Simplesmente aparenta ser alguma coisa pra você. A vida em si não existe, portanto creio que não devemos perder nosso tempo pensando nela. Só o fato de estar vivo já é algo grandioso demais para se perder tempo fazendo formulações a respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento estou fisicamente cansado, então outro dia eu elaboro melhor meu pensamento. Só insisti em escrever agora porque finalmente tenho a impressão de conseguir superar essas preocupações. Estou me tornando alguém extremamente simples no modo de encarar a “vida” e as pessoas. E, conseqüentemente, parece que quanto mais simples me torno, melhor passo a enxergar o quão risíveis são as complicações das pessoas. As (complicações e pessoas) que me restam, inclusive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Notas ao rodapé:&lt;/strong&gt; Imagens: 1- &lt;em&gt;Bela Lugosi’s Dead&lt;/em&gt; (Bauhaus) Ex &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zq7xyjU-jsU"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=zq7xyjU-jsU&lt;/a&gt; ... não há um porquê especial para ter escolhido esta imagem para este post, apenas gosto dela...aliás, o que mais percebo ultimamente é que muita coisa não tem nenhum tipo de motivo. E buscar um motivo onde não há gera tremenda angústia. &lt;/p&gt;&lt;div align="left"&gt;2- Dionísio, deus grego a quem fiz referência no texto. Seu perfil é mais oriental do que propriamente grego, daí ele ser o &lt;em&gt;Outro&lt;/em&gt;, isto é, o diferente. Vale lembrar que só se pode ter consciência de si mesmo a partir do momento em que se tem consciência da existência do &lt;em&gt;Outro&lt;/em&gt;, exterior a si mesmo (é o tipo de raciocínio em que um é pelo outro). Além do mais, ele tem uma imagem desencanada, na exata medida do que quero expressar, haha. Ex &lt;a href="http://www.helderdarocha.com.br/blog/2004/12/dionsio-o-deus-persa-da-guerra_03.html" target="_top"&gt;http://www.helderdarocha.com.br/blog/2004/12/dionsio-o-deus-persa-da-guerra_03.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-816552406585797017?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/816552406585797017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=816552406585797017&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/816552406585797017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/816552406585797017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/04/vida.html' title='&quot;É a vida...&quot;   ?!?'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/Rh8AVKwsCkI/AAAAAAAAAAk/zNG37TKW0Zs/s72-c/bauhaus.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-7626592573124186302</id><published>2007-04-05T01:04:00.001-03:00</published><updated>2008-03-03T00:21:37.482-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Escrito nas estrelas</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RhR4uL21aDI/AAAAAAAAAAc/aQDV920Lh6E/s1600-h/mapaastral.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5049793817041266738" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RhR4uL21aDI/AAAAAAAAAAc/aQDV920Lh6E/s320/mapaastral.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sorte de hoje: Sua mente é criativa, original e perspicaz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Obrigado por alimentar meu ego sedento de areté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o porquê, mas astrologia tem sido um tema recorrente nas minhas conversas nos últimos dias.&lt;br /&gt;Seja nos papos sobre o horóscopo irreverente do Chantecler na &lt;em&gt;piauí&lt;/em&gt;, seja discutindo a crença em Destino ou algo do tipo (coisa em que não acredito, diga-se de passagem)...O inusitado chega ao ponto de até um professor indagar meu signo (e fazer uma cara enigmaticamente feia ao saber que sou de Leão).&lt;br /&gt;Esse tipo de discussão encerra um grande problema pra mim. Por um lado, tento manter uma visão holística do mundo, com todos os seus componentes interligados e interagindo, o que admite de forma muito natural (embora, talvez, não racional) a influência dos astros sobre a vida da gente. Só que é difícil conciliar isso com minha concepção de que somos nós quem devemos construir nosso Destino, e que este é fruto de nossas escolhas. Destino é uma idéia platônica demais para ser engolida numa boa. (&lt;em&gt;Idéia platônica&lt;/em&gt; chega a ser um pleonasmo pior do que &lt;em&gt;ar poluído&lt;/em&gt;...hum, tá bom, foi apenas uma observação pouco pertinente).&lt;br /&gt;Até reconheço que o perfil traçado pela astrologia para cada signo costuma coincidir (sem juízos de valor em relação ao verbo utilizado, okay?) com o perfil das pessoas. Mas daí eu lembro daquela sacada genial dum grande amigo meu: “Humpf...horóscopo...como se só existissem doze tipos de pessoas...”. Tenho que reconhecer a força do argumento dele. Mas talvez haja um meio termo que nos possibilite conciliar as opiniões. Quem sabe se nós considerarmos os 12 signos como tipos puros...tipos ideais mesmo, ou como diria um outro professor, “&lt;em&gt;um instrumental tecnológico que nos serve de ferramental para analisar as situações reais&lt;/em&gt;” (juristas e suas teorias para complicar o simples – custava simplesmente dizer que era uma abstração a partir da realidade? Acho que ainda assim está meio complicado, mas voltando...) possamos dizer que existem até mesmo tipos secundários, amálgamas da tipologia padrão.&lt;br /&gt;Nisso eu me encaixo melhor. Tô ali, no último dia de Leão. Quase nasci sob Virgem. Mais pra lá do que pra cá. Saiu isso...alguém que adora ser notado, como típico leonino, mas que, paradoxalmente, é introvertido e fica tímido nas situações em que é notado – como um bom virginiano – . Ora, nada mais difícil de harmonizar do que esses dois caracteres tão discrepantes da minha personalidade, e que tantos problemas costumam me trazer.&lt;br /&gt;Mas essa realidade, com a qual eu admito concordar em parte, só diz respeito ao psicológico dos indivíduos de determinado signo. E quanto às previsões? Será que realmente os acontecimentos estão dispostos numa ordem legível nas estrelas – coisa que eu insisto em não acreditar – ou a sorte não passa mesmo de uma grande roda em que um dia você está por cima e, no outro, está na pior (idéia presente tanto nos &lt;em&gt;Carmina Burana&lt;/em&gt; quanto em qualquer música de corno por aí - sem ofensa aos cornos, é claro)?&lt;br /&gt;O que torna uma ciência exata não é o fato de ela nunca falhar, e sim conseguir estabelecer uma margem de erro para seus prognósticos. Imagino que, no que toca à astrologia, apontar as próprias possibilidades de falhar está fora de questão, pois poderia ser um recurso à vagueza para impedir que as previsões fossem refutadas.&lt;br /&gt;No fim das contas, pode ser que Shakespeare – aquele mesmo, o que entendeu tão bem a alma das pessoas de qualquer tempo sem precisar verificar o alinhamento dos planetas para tal – tenha mesmo razão quando escreveu, há não tão exatos quatrocentos anos, que há muito mais entre o céu e a terra do que supõe nossa filosofia. Por mais que se pense a respeito, qualquer conclusão não vai passar disso: suposição.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Notas ao rodapé:&lt;/strong&gt; 1- Como se sabe, a &lt;em&gt;sorte de hoje&lt;/em&gt; reproduzida no começo do texto saiu no famigerado horóscopo do orkut. Um dia falarei mais sobre ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2- Imagem ex &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Astrologia"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Astrologia&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-7626592573124186302?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/7626592573124186302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=7626592573124186302&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/7626592573124186302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/7626592573124186302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/04/escrito-nas-estrelas.html' title='Escrito nas estrelas'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RhR4uL21aDI/AAAAAAAAAAc/aQDV920Lh6E/s72-c/mapaastral.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-5156698876394105058</id><published>2007-03-31T19:06:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:35:39.410-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Senta que lá vai história...</title><content type='html'>Que coisa mais piegas o meu último post!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje resolvi pôr aqui um texto, fruto de uma pequena pesquisa minha sobre as epopéias de Homero. Boa leitura xD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, cabe dizer que a leitura desse texto, a meu ver, se fecha num ciclo com o texto do Thiago Leal (&lt;em&gt;A Virtude e suas Nuanças em Homero e Hesíodo&lt;/em&gt;), constante do blog dele (&lt;em&gt;Altívago Nefelibata&lt;/em&gt;- link ao lado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Algumas questões sobre a Ilíada e a Odisséia&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;1.0- Introdução&lt;br /&gt;2.0- Ilíada, Odisséia e Homero&lt;br /&gt;3.0- Impacto da epopéia homérica sobre a civilização grega&lt;br /&gt;3.1- Aspecto educacional de Homero&lt;br /&gt;3.2- Religião e filosofia&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;4.0- Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.0 – Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta deste texto é analisar a Ilíada e a Odisséia, obras cuja autoria é convencionalmente atribuída ao poeta grego Homero, considerando os poemas sob quatro perspectivas, quais sejam a literária, a filosófica, a cultural e a histórica. O reconhecimento destes pontos de vista não significa que eles serão tratados como realidades estanques, uma vez que a pretensão, ao longo do texto, é tratar das quatro esferas de forma interligada, sem uma separação formal das perspectivas, que são postas em evidência, aqui, apenas como advertência quanto aos aspectos que eu tinha como relevantes ao desenvolver o tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é meu objetivo fazer um resumo dos eventos narrados nos poemas. Quando fiz referência ao enredo, foi tão somente no intuito de tornar mais claro algum ponto do raciocínio. O procedimento por mim considerado a melhor forma de abordar estas obras foi trazer à discussão alguns problemas decorrentes do estudo do legado de Homero. É justamente a questão da existência histórica deste autor, em conjunto com considerações de ordem literária, que inicia nosso estudo, em 2.0. Em seguida, terá lugar uma série de considerações sobre a importância da epopéia homérica para a formação cultural do povo grego, já inseridas minhas conclusões pessoais (3.0). Por fim, segue o detalhamento da bibliografia, tanto aquela em que me apoiei, quanto aquela que creio ser de interesse para nosso tema (4.0).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abordagem que fiz não é, de forma alguma, exaustiva. Apoia-se nos principais pontos discutidos pelo grupo sobre as epopéias homéricas e em algumas obras a que tive acesso recentemente, nomeadamente as epopéias propriamente ditas, além dos comentários de Werner Jaeger e da introdução ao volume dos filósofos pré-socráticos, da coleção Os Pensadores, que predominou na primeira discussão sobre o assunto. Obviamente, muitos temas importantes ficaram de fora dessa breve dissertação, alguns justamente em razão do caráter sumário da exposição, outros pelo domínio ainda incipiente sobre o assunto. Algumas questões foram tratadas mais de uma vez, em partes diversas do texto, conforme a necessidade de abordá-las a partir de problemas de diferentes naturezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.0 – Problema histórico de Homero. Aspectos gerais da epopéia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principiei 1.0 afirmando que Homero é considerado autor dos poemas por convenção. De fato, essa expressão é a que julguei mais apropriada, já que afirmar a existência de um único autor historicamente determinado encerra sérios questionamentos no que se refere à possibilidade de se conhecer a Grécia primitiva por meio dos poemas e à questão do estilo bastante diverso de uma obra em relação à outra. Não pretendo enumerar aqui de forma exaustiva às muitas teorias já formuladas a esse respeito&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;, e sim apresentar as fontes de tanto questionamento, ou seja, a problemática em si. Principiarei pela segunda questão, pois esta oferece maiores subsídios para o entendimento da primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É amplamente conhecida a história narrada nos poemas da Ilíada e Odisséia. O primeiro poema é ambientado no cerco dos aqueus a Tróia, mas a guerra é apenas cenário para a ação principal. Esta se concentra em dois problemas principais. O primeiro é a ofensa sofrida por Aquiles, ao ter a posse da cativa Criseida (que ele recebera de seus companheiros gregos em razão de suas virtudes em combate) tomada pelo autoritário líder grego Agamemnon. O segundo grande tema é o combate entre Aquiles e o herói dos troianos, Heitor. Também a Odisséia tem dois planos de ação. Além de nos contar das aventuras de Odisseu, um dos heróis gregos naquela guerra, em retorno ao seu reino de Ítaca, mostra a evolução espiritual de seu filho Telêmaco, em busca pelo pai perdido e por uma solução para a afronta doméstica, representada pelos pretendentes de sua mãe. A autoria de ambos os poemas é atribuída a Homero, embora se saiba da existência de versões diversas do texto, até a edição de Aristarco de Samotrácia (Alexandria, 150 a.C.) que, baseada na forma mais ou menos constante que se tem desde pelo menos 550 a.C., é considerada como definitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo narrativo é muito diferente de um texto para o outro. O poeta da Ilíada não traz considerações mais profundas sobre a formação e natureza de suas personagens. Elas agem de modo a formar uma idealização (de cujo fundamento pretendo tratar adiante) de uma sociedade de guerreiros, os quais sofrem a determinação constante da ação dos deuses em seus destinos. A vida bruta do guerreiro e a busca da virtude cavalheiresca e sua conseqüente honra como imperativo social mostram uma visão de mundo que poderíamos denominar, de certa forma, naturalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A celebração dessa virtude cavalheiresca, aliás, é o próprio intuito do poema. Essa virtude ou areté, próxima ao ideal dos cavaleiros medievais, deveria ser constantemente provada mediante os feitos heróicos dos nobres (aristoi, detentores legítimos da virtude), tanto em tempos de guerra quanto de paz, principalmente através das aristéias, combates singulares entre aristocratas. A Ilíada em seu conjunto é a narrativa da grande aristéia da guerra de Tróia, o combate entre Aquiles e Heitor&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;[2]&lt;/a&gt;. À questão da areté retornaremos mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de concentrar-se nesta aristéia, como o evento mais intenso da guerra, evidencia um dos aspectos da genialidade das epopéias homéricas. Em lugar de proceder com uma exaustiva narração de todos os eventos da guerra, ou mesmo da vida do próprio Aquiles, o poeta concentra-se no drama de maior relevo, mencionando os acontecimentos anteriores e posteriores apenas naquilo em que são relevantes para o entendimento dos eventos que têm lugar no tempo em que se passa a ação&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;[3]&lt;/a&gt;. Jaeger afirma, com acerto, que qualquer tentativa de estender a ação até a morte de Aquiles significa ignorar a intenção artística do poema, pois a certeza da morte não é a continuação natural do enredo para o futuro, e sim o motivo maior do engrandecimento do herói no presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, a Odisséia encerra uma concepção mais realista de mundo, já que o foco está na descrição de personagens nobres (inclusive em seu aspecto subjetivo), vistas de modo mais humanizado, menos perfeito. As personagens são bastante verossímeis, sendo possível partilhar de seus pensamentos e daquilo que as atormentam, enquanto que é virtualmente impossível imaginar as personagens da Ilíada fora de combate. A Odisséia, tal como está, não poderia ser concebida nos mesmos moldes da narrativa da Ilíada, por estar centrada no cenário doméstico. Esta diferente perspectiva levou muitos autores a julgar ser o autor da Odisséia alguém de convívio mais próximo com o elemento nobre de seu tempo. Se na Ilíada temos a nobreza beirando a perfeição, a Odisséia apresenta o caráter como algo não definitivamente ligado às condições de nascimento, muito embora ainda seja natural que se espere uma conduta cordial dos nobres, condizente com seu ideal de areté. Isto fica claro com o comportamento agressivo dos pretendentes de Penélope, e a incompatibilidade de tal atitude com sua posição social. Diante de tudo isso, é natural que areté caminhe, ainda que não de forma definitiva, para o sentido atual de virtude, que considera seu aspecto moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora também neste poema esteja presente a influência do elemento sobrenatural / divino nas ações do homem, esta se dá mais sob a forma de inspiração divina do que ação direta de um deus no sentido de modificar o curso dos acontecimentos. Talvez o maior exemplo desta afirmação seja a Telemaquia, parte inicial da Odisséia, em que Telêmaco, filho de Odisseu e príncipe de Ítaca, recebe aconselhamento por parte da deusa Palas Atena acerca do modo como deveria agir na ausência de seu pai. A intervenção da deusa é de suma importância, pois servirá para transformar o jovem então delicado e inexperiente em útil aliado de seu pai no restabelecimento da ordem em sua casa, quando da chegada deste. A evolução do comportamento de Telêmaco é indiscutivelmente direcionada para este clímax.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise psicológica não é muito desenvolvida na Ilíada, em favor da supervalorização e enaltecimento de todo tipo de qualidade. A discrepância entre as perspectivas é notável até mesmo na adjetivação usada para as personagens, que serve para destacar a virtude guerreira e propiciar uma aproximação psicológica com a personagem, na Ilíada e Odisséia, respectivamente&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftn4" name="_ftnref4"&gt;[4]&lt;/a&gt; &lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftn5" name="_ftnref5"&gt;[5]&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante disso, é fácil entender o problema histórico (embora não seja fácil resolvê-lo). A sociedade instável de nobres guerreiros apresentada pela Ilíada é compatível com o período das migrações das tribos de aqueus, em seu processo de incursão no território grego (séculos XX a XII a.C.). Tal data é compatível com o apogeu e desaparecimento do sítio de Tróia VI, tido como o período mais esplendoroso do desenvolvimento dessa cidade (1900 a 1240 a.C.), conforme atestaram as escavações conduzidas pelo arqueólogo alemão Heinrich Schliemann&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftn6" name="_ftnref6"&gt;[6]&lt;/a&gt;. No entanto, a Odisséia não pode ser fruto de tal época, uma vez que a sociedade estável e politicamente bem definida que o poema apresenta simplesmente não poderia existir no período citado. Jaeger situa a criação da Odisséia como anterior a Hesíodo, e a racionalidade expressa no poema seria reflexo de seu surgimento na tradição jônica, dentro da qual, pouco mais tarde, floresceriam os primeiros filósofos físicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode atribuir a autoria de ambos os poemas a um único indivíduo, nem situá-los em um único período. Porém, considerar a totalidade das obras como uma unidade é importante quando se trata de analisar a significação de seu legado sobre a formação cultural helênica, como veremos a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.0 – Impacto da epopéia homérica sobre a civilização grega&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1 – Aspecto educacional de Homero&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As narrativas homéricas desempenharam papel importante em relação ao desenvolvimento cultural dos gregos, uma vez que a poesia era considerada veículo educador por excelência, não havendo dissociação entre o valor estético da arte e o seu conteúdo ético. Ambos encontravam-se intimamente ligados, tendo importância profunda para o valor da obra. A idéia de autonomia estética da arte, que permite a apreciação dos poemas pela beleza de sua forma, dispensando-se reflexões sobre seu conteúdo, teria sido uma concepção da retórica e, posteriormente, do pensamento cristão, que assim teria permitido a sobrevivência dos poemas, agora convertidos em manifestação da “mitologia”. Ou seja, poderiam ser admirados simplesmente por sua beleza, desconsiderando-se a profundidade da mensagem enquanto expressão de religião pagã. Pretendo, daqui em diante, apresentar esse conteúdo de que as epopéias homéricas seriam portadoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gregos buscaram encontrar, em tudo quanto fosse objeto de sua reflexão, as leis gerais que regem os diversos fenômenos. Isso não poderia deixar de ocorrer também em relação à idéia de homem elaborada por eles. Pensar o ser humano conduziu o grego à concepção de indivíduo, em contraposição ao cenário geral da antigüidade oriental, na qual os homens representam uma massa rígida, curvada perante um Estado onipotente. Essa constatação é crucial para o entendimento da evolução que a Grécia representou em áreas tais como a Política, com o advento da idéia de democracia; e a Filosofia, em seu desenvolvimento desde os problemas da natureza até os problemas do ser humano. A noção de indivíduo, elaborada nesses moldes, não significou a consideração de um “eu” subjetivo, e sim a construção de um tipo ideal de ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homero é quem vai estabelecer as qualidades desse homem idealizado, sendo a característica central dessa construção a areté, tal como a apresentamos em 2.0. A areté não é um conceito que se encerra em si mesmo. A conseqüência de seu reconhecimento é que assume valor importantíssimo, pois significa a atribuição de honra ao indivíduo virtuoso ou, no dizer de Aristóteles, a honra é o prêmio pago à virtude. Ao contrário da formulação posterior da idéia de virtude, que geralmente prescinde do reconhecimento externo, a honra em Homero é a retribuição natural à conduta virtuosa, de modo que não honrar o guerreiro virtuoso significa não reconhecer nele a areté. No cenário da guerra, a honraria se dá pela oferta do espólio da batalha ao herói. Somente assim podemos compreender o fato de Aquiles retirar-se da batalha após ter Criseida, que lhe fora dada pelos gregos como prêmio por suas qualidades de guerreiro, tomada por Agamemnon. A consideração conjunta do significado da areté e a clara reprovação do poeta à atitude de Agamemnon ajudam a perceber na reação de Aquiles o repúdio à injustiça sofrida, em vez de um mero exemplo de egoísmo ou narcisismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No contexto da Grécia arcaica, a nobreza, apoiada no tripé tradição / vida sedentária / propriedade, é a única classe onde é possível se conceber uma transmissão consciente das formas de vida, com o fim de propiciar a suas gerações atingir o ideal de homem apresentado. Deve-se a isso a posição central dos nobres na ação, bem como a ligação indissociável entre areté e nobreza. Também é notável o papel diferenciado da mulher, que não é vista pelo aspecto da utilidade, como fará Hesíodo, nem como mera mãe dos filhos legítimos, como será no seio da burguesia posterior. A importância feminina está, mais explicitamente na Odisséia, em seu papel de mãe de uma geração ilustre, tanto pela consciência da relação entre areté e nobreza (esta, como já vimos, só se justifica pela constante demonstração daquela), quanto por ser a mulher a responsável por desempenhar, em razão do cenário doméstico, a manutenção das tradições e do modo de ser da classe. Seus protótipos são Penélope, Nausícaa e Atena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora tenho afirmado ser a poesia forma usada eficazmente pelos gregos com a intenção educadora. A eleição da arte como veículo de expressão de valores éticos se deve ao fato de ela possuir um poder ilimitado de conversão espiritual – psicagogia – , estando dotada simultaneamente de duas modalidades de ação espiritual: validade universal e plenitude imediata e viva. Assim, supera em amplitude a vida real e a reflexão filosófica, pois esta é universal por penetrar na essência das coisas, mas seu alcance é restringido pelos diversos níveis de vivência pessoal; enquanto aquela possui a plenitude da experiência, desprovida, porém, de sentido universal. Tais características não são exclusivas dos gregos, nem aplicáveis à arte de todos os tempos e culturas. Mas é entre os helenos que essa observação atinge maior validade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do alcance universal da arte, a epopéia homérica se vale, em sua ação educadora, da força do exemplo. O exemplo é o recurso dos mais antigos e eficazes para se transmitir alguma lição. O discurso de Fênix a Aquiles, acerca da nocividade da cólera, menciona o exemplo de Meléagro. Na Odisséia, Atena inspira Telêmaco com a alusão à vingança de Orestes contra Egisto, assassino de seu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em última análise, Ilíada e Odisséia apresentam, nas figuras de Aquiles e Telêmaco, dois protótipos antitéticos da educação. Aquiles entrega-se à paixão da fúria, apesar dos sábios conselhos de Fênix, amigo fiel e experiente, no sentido de não resistir de forma tão impetuosa à reaproximação com os aqueus. Por sua vez, Telêmaco representa uma demonstração de como um jovem, guiado para um fim maior, pode atingir sua meta através de uma postura que aceita com docilidade os ensinamentos da experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2 – Religião e filosofia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tive a oportunidade de opor a noção de homem dos gregos àquela dos povos da dita antigüidade oriental. Retorno a ela agora, a fim de mostrar o abismo que separa as duas culturas, sob o aspecto religioso. Em oposição ao já decantado antropocentrismo grego, há, entre os orientais, a ordenação teomórfica do mundo. Em ambos os sistemas, há a intervenção divina nos eventos terrenos. Porém, a idéia da individualidade do homem aduz, entre os gregos, à necessidade de decompor a observação da realidade segundo os desígnios divinos e o efeito destes sobre os homens. É uma postura na qual a consideração psicológica e a metafísica são organicamente complementares, nunca excludentes. Deste ponto de vista, as epopéias homéricas se distinguem não apenas de seus similares orientais, mas também da epopéia medieval, em que impera a ótica estritamente subjetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto merece uma reflexão profunda, a fim de que se possa perceber que a concepção poética de Homero leva necessariamente a uma análise holística do mundo, ou seja, a coexistência de um plano divino e um humano implica a consideração dos acontecimentos de uma perspectiva absoluta, sempre. Apenas o poeta, condutor da narrativa, percebe e transmite a natureza dúplice da ação. Ao tratar do problema do homem em sua significação absoluta e em conexão com as normas que governam o próprio universo, a épica grega assume um caráter muito mais total, objetivo e profundo, que só se repetirá, segundo Jaeger, em Dante Alighieri. Desnecessário ressaltar a importância de semelhante visão de conjunto, não apenas para a religião, mas para a própria evolução do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Olimpo de Homero é um reino de luz. Humanizados em forma e atitude, os deuses ficam mais próximos do homem, racionalizando a religião e excluindo do culto as formas monstruosas e as práticas de feitiçaria, que passam a aparecer na tradição apenas como exemplo de desvio patológico daquela que deveria ser a verdadeira expressão da religiosidade&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftn7" name="_ftnref7"&gt;[7]&lt;/a&gt;. Se uma pluralidade de divindades dispostas a fazer prevalecer sua vontade no universo poderia significar uma desordem, a presença de um Zeus soberano, detentor da palavra final no conselho dos deuses, garante a manutenção da ordem cósmica. Isto é muito relevante para nós. Atribuir a causa das coisas, em última instância, a Zeus foi a forma encontrada pelo poeta para resolver a delicada exigência moral e religiosa de conciliar a multiplicidade de deuses com a concepção de um comando ordenado e unitário do mundo. Isto vai dar, em seguida, na noção de arché dos pré-socráticos, como ordem em que se funda todas as coisas, aqui representada pelo papel de Zeus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;4.0 – Bibliografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Edipro. [s.d.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BUTLER, Samuel (adap.). The Iliad of Homer and The Odyssey. Great books of the western world. Encyclopaedia Britannica. 1952.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CERAM, C.W. Deuses, Túmulos e Sábios: o romance da arqueologia. São Paulo. Melhoramentos. 1991.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JAEGER, Werner. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo. Martins Fontes. 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Estudos de História da Cultura Clássica I: Grécia. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian. 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PLATÃO. Fedro, in Plato. Great books of the western world. Encyclopaedia Britannica. 1952.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SOUZA, José Cavalcante de (org.). Os pré-socráticos: vida e obra. Os Pensadores. São Paulo. Nova Cultural. 1999&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Notas:&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; A respeito, leia-se a nota bibliográfica sobre Homero, constante da tradução das epopéias por Samuel Butler: “Homer is not a man known to have existed, to whom the authorship of the Iliad and Odyssey is imputed. Homer is the author of the Homeric poems, a hypothesis constructed to account for their existence and quality. There were several ‘lives of Homer’ in antiquity. Their date is uncertain, but the Homer they present is certainly a figure of romance and conjecture. (...) Extrinsic evidence, then, does not reveal an Iliad or Odyssey, written poems, in anything like their present form, before 550 B.C. However, intrinsic evidence convinces scholars that such a date was a late stage in the history of ‘Homeric’ poetry. To reconstruct that history has always been the Homeric problem. This reconstruction, when made by argument from the text of the present poems, has sometimes seemed to involve a denial of their artistic unity. Certain scholars have seen the epics as only imperfectly unified, resulting from accretion to an imagined short original or from a joining of several remembered songs. Further, the poems have been held to be neither of the same period, nor by the same author; Samuel Butler contended on this last point that the Odyssey was written by a woman.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn2" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;[2]&lt;/a&gt; A narrativa inteira, aliás, está concentrada nas aristéias dos diversos heróis aqueus e troianos, já que estas oferecem elementos mais ricos e dignos da nobreza do que os grandes combates de multidões, os quais só fazem sentido neste contexto com a atuação notável dos heróis no meio das massas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;[3]&lt;/a&gt; É o caso da referência feita à motivação da guerra (o rapto de Helena) e do célebre episódio do cavalo de Tróia, que não se encontra na Ilíada, mas no canto VIII da Odisséia, cantado por um bardo, em forma de flashback. Também a referência prévia à morte de Aquiles em combate. O fato de o herói permanecer no campo de batalha, mesmo tendo consciência de que nele encontrará o seu fim, evidencia um aspecto importante da areté.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn4" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftnref4" name="_ftn4"&gt;[4]&lt;/a&gt; Quanto à adjetivação, cabe lembrar o largo uso, na Ilíada, de epítetos junto aos nomes dos heróis, destacando suas qualidades guerreiras, físicas e nobres, enquanto que seu uso na Odisséia serve à tradução do que se passa na psique. Um exemplo fortíssimo é a caracterização da mulher. Os comentadores antigos apontam a avaliação da cativa Criseida por Agamemnon como resumidora de todo o conteúdo da areté feminina (boa presença, estatura, prudência e linhagem), enquanto a Odisséia realça o temperamento e virtudes domésticas de Penélope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn5" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftnref5" name="_ftn5"&gt;[5]&lt;/a&gt; Quero fazer uma observação, no sentido de que não pretendo afirmar a ausência de análise psicológica na Ilíada, apenas que, na Odisséia, ela é mais elaborada. Tal ressalva é necessária no sentido de evitar a impressão de contradição em relação às partes finais do presente texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn6" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftnref6" name="_ftn6"&gt;[6]&lt;/a&gt; A respeito de Schliemann, v. C.W. Ceram, Deuses, Túmulos e Sábios.&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=4782833605370809938#_ftnref7" name="_ftn7"&gt;[7]&lt;/a&gt; Lembro-me de ter usado o mito de Medéia como exemplo dessa tendência, ao que se opôs ser esse exemplo muito discutível. Sinceramente, faltam-me informações a respeito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-5156698876394105058?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/5156698876394105058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=5156698876394105058&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5156698876394105058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/5156698876394105058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/03/senta-que-l-vai-histria.html' title='Senta que lá vai história...'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-6201111064160951204</id><published>2007-03-30T01:58:00.000-03:00</published><updated>2008-03-04T22:28:26.313-03:00</updated><title type='text'>É como uma irmã menor que voltou a bater à minha porta</title><content type='html'>Solidão, bem-vinda de volta!&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RgyZReQ2HZI/AAAAAAAAAAU/9_FZG0LMlso/s1600-h/kafka_alone.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047577807836028306" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RgyZReQ2HZI/AAAAAAAAAAU/9_FZG0LMlso/s320/kafka_alone.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RgyZReQ2HZI/AAAAAAAAAAU/9_FZG0LMlso/s1600-h/kafka_alone.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Com todas as sensações que vêm contigo...o desajuste; as reflexões; os arrependimentos; o aprendizado; a contemplação; o tédio; a observação; a saudade; a tristeza; a paz; a alegria também; a insônia; a preguiça; o sossego ou o desassossego...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe se numa dessas eu não acabe esbarrando comigo mesmo por aqui e me convidando pra bater um papo e ver que tipo de louco sou eu, afinal, pra agüentar tudo isso que você traz contigo (além daquilo que, eventualmente, já estava aqui)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ilustração desse post é de uma animação baseada n'&lt;em&gt;A Metamorfose&lt;/em&gt;, de Kafka (vide link ao lado). Muito bom. Quase tão angustiante quanto o livro. Não lembro de cabeça o nome do cara que fez essa adaptação, só sei que a animação, pelo menos, ficou muito interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota ao rodapé:&lt;/strong&gt; O autor da adaptação de Kafka aos quadrinhos é Peter Kuper (5/4/2007).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-6201111064160951204?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/6201111064160951204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=6201111064160951204&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/6201111064160951204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/6201111064160951204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/03/solido-bem-vinda-de-volta-com-todas-as.html' title='É como uma irmã menor que voltou a bater à minha porta'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RgyZReQ2HZI/AAAAAAAAAAU/9_FZG0LMlso/s72-c/kafka_alone.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-9014481912817385097</id><published>2007-03-30T01:04:00.000-03:00</published><updated>2008-03-04T22:28:26.313-03:00</updated><title type='text'>Pra começo de conversa...</title><content type='html'>Passado o momento zé-graça inicial, vamos à pergunta que não quer calar (Ô clichê, ainda to me acostumando a isso...) : Pra quê um blog?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente? Não sei...talvez uma experiência pessoal para expressar/divulgar/detonar idéias, exercitar a escrita (to precisando mesmo fazer isso). Ou então para reunir num lugar só um bocado de coisas de que gosto, por mais discrepantes, intelectualóides ou &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt; que pareçam ou venham a ser.&lt;br /&gt;Vai ver que criei mesmo só pra forçar as pessoas a ler o que eu escrevo, como me disse o primeiro amigo que fez essa pergunta, inspirado numa passagem do Milan Kundera (&lt;em&gt;A Insustentável Leveza do Ser&lt;/em&gt;, creio eu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não carece de conclusões...nem de objetivos. Vai indo assim, despreocupado como esse texto. Já tá bom demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-9014481912817385097?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/9014481912817385097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=9014481912817385097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/9014481912817385097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/9014481912817385097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/03/pra-comeo-de-conversa.html' title='Pra começo de conversa...'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4782833605370809938.post-3084946574426892435</id><published>2007-03-30T00:54:00.000-03:00</published><updated>2008-02-01T23:35:39.410-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Filosofia barata...'/><title type='text'>Just kidding...ou a Fantástica Erística dos Homens-Palito</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RgyLcOQ2HYI/AAAAAAAAAAM/gobXLVs6p4I/s1600-h/galileu.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5047562599356833154" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RgyLcOQ2HYI/AAAAAAAAAAM/gobXLVs6p4I/s320/galileu.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pra quem diz que filosofia e ciência não podem render uma piadinha, por boba que seja...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Vi uma charge parecida com essa (não pela estética, só a idéia, hehe) em algum lugar...tomei a liberdade de (tentar) reproduzir aqui...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4782833605370809938-3084946574426892435?l=notas-rodape.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notas-rodape.blogspot.com/feeds/3084946574426892435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4782833605370809938&amp;postID=3084946574426892435&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3084946574426892435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4782833605370809938/posts/default/3084946574426892435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notas-rodape.blogspot.com/2007/03/just-kidding.html' title='Just kidding...ou a Fantástica Erística dos Homens-Palito'/><author><name>Leonardo Passinato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07344540038844536999</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_TmOd7sugQkc/RgyLcOQ2HYI/AAAAAAAAAAM/gobXLVs6p4I/s72-c/galileu.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
